“O PRA-JA Servir Angola acompanha com preocupação os atos de intolerância política registados na província do Uíge, que culminaram, no último sábado, com uma atuação da Polícia Nacional que consideramos preocupante e que merece a nossa atenção”, denuncia  o partido, sabendo-se que a iniciativa havia sido previamente comunicada à Polícia Nacional e às autoridades locais.

“Apesar disso, no momento da realização do ato, a Polícia impediu a sua concretização”, diz o PRA-JÁ, num comunicado em que expressa “total solidariedade à UNITA, aos seus dirigentes, militantes, simpatizantes e a todos os cidadãos afetados pelos acontecimentos registados no Uíge.

O partido de Abel Chivukuvuku ( antiho dirigente da UNITA) defendeu que a Polícia Nacional deve atuar como “uma verdadeira polícia republicana, ao serviço de todos os angolanos e acima das disputas partidárias”, protegendo tanto quem apoia o poder como quem faz oposição.

Num Estado de direito, a polícia “não deve impedir uma atividade política simplesmente porque ela pertence a uma força da oposição” e que o recurso à força deve ser excecional e proporcional.

O PRA JÁ apelou igualmente às autoridades nacionais e locais para garantirem “tratamento igual a todas as forças políticas” para que situações como esta “não se repitam”, e instou os partidos e cidadãos à serenidade, evitando confrontos.

Os incidentes ocorreram na sexta-feira, 07.08, quando a Polícia Nacional barrou as ruas de acesso e tomou medidas para impedir a receção do líder da UNITA à chegada à cidade, e no sábado, quando cercou a sede provincial do partido, onde estava previsto o ato político no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, a organização juvenil da UNITA, para assinalar o 92.º aniversário do fundador do partido.

Segundo o relato à Lusa do secretário-geral da JURA, Nelito Ekuikui — que disse ter sido alvo de um atentado —, a polícia começou por volta do meio-dia a disparar gás lacrimogéneo e “balas reais”, registando-se vários feridos.

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, acusou as autoridades locais de criarem um “estado de guerra” no Uíge e acabou por adiar o ato central do principal partido da oposição angolana.

A Polícia Nacional justificou a intervenção com a tentativa da UNITA de realizar uma atividade partidária em “local impróprio”, junto ao tribunal da comarca, considerando também reprovável o fecho de ruas para atos políticos.

“Um dos partidos políticos queria realizar o ato defronte aos órgãos de soberania (…). Automaticamente, acionaram-se as forças para que se impedisse a realização desse ato nesse local”, afirmou à Televisão Pública de Angola o chefe do departamento de comunicação institucional da polícia no Uíge, superintendente-chefe Luís Freitas Jamba.

Também o Bloco Democrático (BD) repudiou a atuação policial, num outro comunicado, exigindo uma investigação transparente e a responsabilização dos autores.

A agência Lusa contactou o Governo Provincial do Uíge, que não se pronunciou até ao momento, não tendo sido possível obter também esclarecimentos adicionais por parte da polícia.

Angola aproxima-se de um novo ciclo eleitoral, por entre uma forte crise interna mo Mpla com

o PRA JA, a ter anunciado em maio de 2025 a saída da da Frente Patriotica  Unida para concorrer isoladamente em 2027.

O Bloco democrático defende a continuidade da FPU para as eleições gerais de Angola em 2027, mas  transformando  a Frente Patriótica Unida (FPU) integrando uma nova aliança de seis partidos, numa nova coligação com forças como a FNLA, PDP-ANA e outros partidos para submissão ao Tribunal Constitucional.