"Em nosso entender, uma medida com estas características só pode avançar, não transferindo esta responsabilidade financeira para os municípios, mas sendo uma medida assegurada pelo Estado central. É uma opção, em nosso entender, muito mais racional investir no transporte público do que, por exemplo, pagar às concessionárias das autoestradas, que recebem neste momento mais de mil milhões de euros por ano em PPP", argumenta.
"Perante a intenção do Governo de facultar um passe a vinte euros nas áreas metropolitanas de uso limitado à ferrovia, é necessário assegurar, com o correspondente financiamento pelo Estado, que seja esse o preço fixado para os passes Navegante [Lisboa] e Andante [Porto]", refere o PCP num comunicado de imprensa.
É o facto de já ser possível utilizar o Passe Ferroviário Verde (que custa 20 euros por mês) nos comboios suburbanos da CP em Lisboa e no Porto - zonas nas quais a maioria dos cidadãos utiliza os passes Navegante e Andante, cujo custo é superior e incluem diferentes modalidades de transporte que é posto em causa
O grupo parlamentar comunista tenciona apresentar no Parlamento várias iniciativas sobre o tema, nomeadamente, um projeto para fixar nos 20 euros o valor do passe intermodal nas áreas metropolitanas, já a partir de 1 de janeiro.
O PCP considera ainda que, "além do reforço da oferta de transportes públicos nas áreas metropolitanas, é preciso estender a mesma a todo o país" e, por isso, defende igualmente "uma uniformização do preço em 20 euros dos passes nas restantes comunidades intermunicipais envolvendo todos os meios de transporte - e não apenas a rodovia como acontece na maioria dos casos".
Entre as iniciativas que a bancada pretende apresentar na Assembleia da República está a gratuitidade destes títulos para maiores de 65 anos, o "alargamento da oferta em geral, dando prioridade ao reforço da manutenção ferroviária, à contratação e valorização de trabalhadores, ao aluguer de composições no mercado" bem como "a criação de uma única plataforma pública e nacional de transportes públicos, que permita conhecer as alternativas de preço e horários de transporte entre dois pontos do território nacional, conhecer em tempo real o tempo de espera pelo transporte, possibilitando ainda a aquisição de todos os bilhetes necessários".
Ja o Governo adiantou que o alargamento do Passe Ferroviário Verde permite que, por 20 euros mensais, um passageiro possa "viajar por todas as linhas da CP, de norte a sul do país, à exceção do Alfa Pendular e Intercidades (1ª Classe), seja em deslocações frequentes para trabalhar, estudar ou em viagens de lazer".
"Nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, os passageiros que se desloquem exclusivamente de comboio podem usar apenas o Passe Ferroviário Verde em vez do passe intermodal Navegante (Lisboa) ou Andante (Porto), o que representa uma redução do custo mensal para metade", refere-se na mesma nota, sublinhando-se que nas deslocações em localidades exteriores à Área Metropolitana do Porto "as poupanças podem ser mais significativas".
O Ministério das Infraestruturas e Habitação adiantou ainda que o alargamento do Passe Ferroviário Verde "à Fertagus está a ser operacionalizado e será anunciado oportunamente".