Lá, já é produzido o novo T-Roc. E será também fabricado o futuro modelo de produção resultante do ID. Every1, previsivelmente a partir do próximo ano - para já, só se conhece o "concept".
Este é um elétrico de baixo custo, que deverá custar algo a rondar os 20 mil euros.
Conforme foi noticiado pela imprensa nacional há cerca de um ano, o Governo apoia a produção em 30 milhões de euros, sendo este o primeiro Volkswagen elétrico fabricado em solo nacional.
De resto, está atualmente em curso "um dos maiores planos de investimento" da história da empresa, num total de 600 milhões de euros - incluindo uma nova Prensa XL e uma nova oficina de pintura.
No ano passado, saíram das linhas de montagem da Autoeuropa 240.400 automóveis, o segundo melhor ano de sempre com o volume de vendas a ficar-se nos 3,8 mil milhões de euros, apesar do ligeiro aumento de produção (cerca de quatro mil unidades). A exportação representa 99 por cento da produção.
Nos últimos anos, o número de trabalhadores na Volkswagen Autoeuropa tem diminuído: de um pico de 5.912 em 2017, a descida tem vindo a ser gradual todos os anos, até 4.803 no fim de 2025.
Para manter a atividade intacta, qualquer fábrica - seja em Portugal ou noutro país - tem de ser rentável e estar em conformidade com as necessidades de mercado.
Por isso, para já, a Autoeuropa está dependente do desempenho do T-Roc.
Sobre o assunto, o comunicado da Volkswagen na semana passada foi claro: "O Grupo vai alinhar a sua rede de produção com o ambiente de mercado alterado e a concorrência cada vez mais intensa. O objetivo entre todas as marcas é um nível adequado de procura de cerca de nove milhões de unidades por ano. Antes da pandemia da Covid-19, a empresa investiu para cerca de 12 milhões de veículos e já fez um progresso significativo com uma redução de dois milhões de unidades. Seguir-se-ão mais passos na China e na Europa".
Ora, fazendo a Autoeuropa parte da rede de produção da Volkswagen, poderá não passar incólume a eventuais ajustes das capacidades existentes ou a um reajuste na gama: está previsto o corte de 50 por cento dos modelos, com o foco em segmentos competitivos. Mas, neste momento, não há quaisquer indicações concretas oficiais sobre o que acontecerá nestes âmbitos.
Por outro lado, haverá uma maior aposta na "digitalização, inteligência artificial e serviços partilhados", com o intuito de aumentar a produtividade e acelerar os processos.
Simplificação da gama. É esta a palavra de ordem no Grupo Volkswagen, no contexto da reestruturação profunda De acordo com um comunicado, nos próximos anos vai haver uma lógica diferente de abordar a gama: "será gradualmente simplificada", com o corte de até 50 por cento dos modelos atuais. O foco vai residir nos segmentos de mercado mais competitivos.
As opções para os veículos (como motorizações ou equipamento) também vão ser menos, por forma a reduzir a complexidade da oferta em até 75 por cento. A ideia, diz a empresa alemã, é dar espaço para "investimentos e recursos de desenvolvimento focados nos produtos e tecnologias que conferem maior valor acrescentados para os clientes e contribuição mais alta de valor".
O que poderá desaparecer?
Para já, não se sabe que modelos poderão vir a ser descontinuados com o realinhamento do fabricante, nem de que marcas. Mas é expectável que continue a apostar em produtos marcantes como o Polo (chegou recentemente o novo ID. Polo totalmente elétrico), o Golf, o T-Roc ou até o Tiguan que já está no mercado há quase 20 anos.
Mas a Volkswagen não é a única marca do grupo. A Audi já descontinuou o A1 e o Q2, ao passo que a Seat e a Cupra poderão deixar de ter modelos que se sobreponham.
Nova fase da transformação do Grupo VW
O diretor-executivo, Oliver Blume, explicou: "Estamos a tornar o Grupo Volkswagen mais célere, mais resiliente e mais competitivo: através de menos complexidade, tecnologias focadas e um alinhamento de produtos ainda mais forte, desenvolvimento e produção com mercados regionais, a redução de sobrecapacidades, um portfólio de produtos otimizado e estruturas significativamente mais ágeis".
Já o diretor financeiro, Arno Antlitz, falou da redução de custos, melhoria da estrutura de custos, maior eficiência de fábricas e em acelerar a tomada de decisões e desenvolvimento tecnológico: "Só o conseguimos alcançar reduzindo significativamente a complexidade - no portfólio de produtos e plataformas tecnológicas, no número de unidades e níveis de tomada de decisão".
Esta é a "próxima fase da transformação" do grupo automóvel, que já tem vindo a realinhar-se há três anos. Atualmente, tem a maior gama de automóveis da sua história.
O plano para os próximos anos pretende que a empresa fique "ainda mais resiliente contra influências externas e riscos crescentes", e assim ter uma posição competitiva de forma sustentável.
Para além das medidas tomadas do ponto de vista da oferta, o Grupo Volkswagen também vai intervir na sua rede de produção quer na China, quer na Europa - com vista a aumentar a produtividade e a velocidade através de digitalização, partilha e uso da inteligência artificial.
A produção será reduzida em 25 por cento.
Podem ser encerradas quatro fábricas na Alemanha e existirem até 100 mil empregos extintos, mas não há números oficiais.
De acordo com um comunicado, nos próximos anos vai haver uma lógica diferente de abordar a gama: "será gradualmente simplificada", com o corte de até 50 por cento dos modelos atuais. O foco vai residir nos segmentos de mercado mais competitivos.
As opções para os veículos (como motorizações ou equipamento) também vão ser menos, por forma a reduzir a complexidade da oferta em até 75 por cento.
A ideia, diz a empresa alemã, é dar espaço para "investimentos e recursos de desenvolvimento focados nos produtos e tecnologias que conferem maior valor acrescentados para os clientes e contribuição mais alta de valor".