E retomou outra vida este Alemanno com  uma nova batalha política para travar: denunciar as condições deploráveis das prisões superlotadas da Itália.

É inesperada para um político da extrema-direita, que tende a defender o encarceramento de mais pessoas, mas seu histórico político está dando certo peso à sua cruzada.

Alemanno ingressou no Movimento Social Italiano neofascista em sua juventude, mas posteriormente se aliou à corrente conservadora dominante e atuou como ministro da Agricultura no governo de Silvio Berlusconi, de 2001 a 2006. Foi prefeito de Roma de 2008 a 2013.

Nas  suas cartas, Alemanno narra as tragédias da vida na prisão, partilhando as histórias de outros presos  e relatando até tentativas de suicídio.

“Ele nunca tinha estado na prisão, e quando entrou na cadeia ficou surpreso”, disse Edoardo Albertario, o seu advogado.

Um dos seus  posts mais lidas descreve a situação em Rebibbia, a maior prisão da Itália, no verão, quando as celas se transformam em "fornos" devido ao isolamento precário e os presos precisam recorrer a soluções improvisadas, como água da torneira, para tornar o calor mais suportável. 

“Mas a política está adormecida (com ar condicionado ligado), esperando que o comissário responsável construa magicamente novas prisões”, escreveu Alemanno, questionando a promessa do governo de resolver o problema construindo mais cadeias e sua abordagem de “lei e ordem”, como ele a chamou.

Em abril, as prisões italianas abrigavam mais de 62.000 pessoas em instalações construídas para apenas 51.000

. Os suicídios estão em ascensão, segundo relatos de Alemanno que  se concentram nas histórias individuais de seus companheiros de cela, como Roberto, um homem de 77 anos que mal enxerga e caminha com dificuldade, mas que mesmo assim tem que cumprir três anos de detenção. 

“O que Roberto está fazendo na prisão? Que vingança social ainda precisa ser feita contra essa pessoa, que está com dificuldades para andar, que não consegue ver nem ouvir, que corre o risco de morrer na prisão e que já cumpriu quase metade da pena? Ele não poderia ao menos ser colocado em prisão domiciliar, para tentar cuidar de si mesmo em casa?”, escreveu Alemanno

As suas cartas são assinadas em conjunto com  outro preso, Fabio Balbo, conhecido como “o Escrivão de Rebibbia”, por ser a pessoa a quem se recorre para redigir pedidos de benefícios prisionais e por ser um ativista dos direitos dos presos.

Os dois formaram uma “aliança estranha”, como o ex-prefeito descreveu em sua última carta.

Alemanno faz política mesmo atrás das grades, liderando um micropartido de extrema-direita chamado "Independência!", cujo objetivo é retirar a Itália da UE e lutar contra as "elites cosmopolitas" para defender "o povo italiano".

Estranho como o saber de vida feito aproxima idealistas da realidade e como os discursos antipresos muda face a vida vivida

O ato de prender pouco ou nada resolve no que ao combate ao crime urge fazer