Segundo um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), o contingente de brasileiros que procuram emprego há dois anos ou mais caiu de 3,8 milhões, em 2021, para cerca de  1 milhão no segundo trimestre de 2026, afirmou o Valor Económico

O estudo, elaborado pelo investigador Paulo Peruchetti, mostra que a melhora não se restringiu à redução do número absoluto de desempregados nessa condição.

A participação dos trabalhadores que procuram uma vaga há pelo menos dois anos no total de desempregados também diminuiu significativamente, passando de quase 30% para cerca de 18% no período analisado.

A queda do desemprego de longa duração é  um avanço importante para o mercado de trabalho brasileiro, pois  porque períodos prolongados de afastamento dificultam a reinserção profissional e podem comprometer as perspectivas de rendimento dos trabalhadores.

“É um resultado que deve ser muito comemorado. Quanto mais tempo o indivíduo fica fora do mercado, maior é a depreciação do capital humano”, afirmou Peruchetti.

De acordo com o investigador, o resultado está associado ao maior dinamismo da economia brasileira no período posterior à pandemia de Covid-19, quando o desemprego de longa duração atingiu níveis particularmente elevados.

A recuperação da atividade economica e a ampliação das oportunidades de ocupação contribuíram para reduzir o contingente de pessoas que permaneciam afastadas do mercado de trabalho por períodos prolongados.

Outros fatores houve que ajudaram a explicar a redução do desemprego prolongado, como a expansão das atividades por conta própria e o crescimento das ocupações intermediadas por plataformas digitais.

Essas modalidades ampliaram as possibilidades de obtenção de rendimentos para trabalhadores que encontravam dificuldades de recolocação em empregos tradicionais.

Embora representem alternativas de inserção produtiva, essas ocupações também suscitam debates sobre qualidade do emprego, estabilidade da renda e proteção social, especialmente no caso dos trabalhadores vinculados às plataformas digitais.

A redução de aproximadamente 2,8 milhões de pessoas no contingente de desempregados de longa duração entre 2021 e o segundo trimestre de 2026 constitui um indicador relevante da recuperação do mercado de trabalho brasileiro.