As duas plataformas acusam igualmente a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) de ter validado o golpe de Estado na Guiné-Bissau, considerando que o comunicado final da 69.ª Cimeira Ordinária da organização constitui uma tentativa de impor uma “ordem constitucional fabricada nos gabinetes”.
Segundo o documento, as conclusões da cimeira realizada a 19 de julho, na Serra Leoa, contradizem a posição assumida pela organização na sua 68.ª Cimeira, realizada em dezembro de 2025, que defendia uma transição civil breve e liderada por um governo inclusivo.
No comunicado, datado de 22 julho de 2026, as plataformas denunciam que a situação política e o respeito pelos direitos fundamentais na Guiné-Bissau não registaram melhorias desde dezembro de 2025.
Continuam alias a verificar-se detenções por motivos políticos, restrições às liberdades públicas, encerramento de sedes partidárias e a manutenção das atuais autoridades de transição lembrando a detenção de Domingos Simões Pereira, lider do PAIGC. determinada por um tribunal militar, demonstra, a ausência de vontade das autoridades em respeitar as decisões da CEDEAO.
A libertação de figuras políticas detidas não deve ser interpretada como um gesto de boa vontade, mas sim como uma obrigação política, jurídica e moral.
Para o PAI-TR e a API-CG a CEDEAO deve adotar medidas concretas e verificáveis e, caso estas não sejam cumpridas, avançar com sanções individuais e patrimoniais contra os responsáveis pelo golpe de Estado.
As duas plataformas exigem uma mediação internacional “verdadeiramente imparcial”, sublinhando que qualquer processo de diálogo deve ser transparente, inclusivo e orientado para a defesa da vontade soberana do povo guineense, sem servir para legitimar o atual regime de transição.
Entre as principais reivindicações apresentadas à organização regional figuram o reconhecimento da rutura da ordem constitucional, a libertação imediata e incondicional de Domingos Simões Pereira e de todos os detidos por motivos políticos, a criação de condições para um diálogo nacional inclusivo, a participação de todos os atores políticos no processo de transição, a realização de qualquer referendo ou eleição apenas num ambiente de liberdade, segurança e imparcialidade, bem como o envio de uma missão internacional independente para avaliar a situação dos direitos humanos no país.