Para as  duas plataformas “não existe transição credível sem legitimidade”, nem eleições livres enquanto os principais atores políticos permanecerem detidos ou impedidos de participar na vida política nacional.

Num comunicado enviado ao  O Democrata, assinado por António Samba Baldé, em representação da PAI-TR, e por Jorge Fernandes, em nome da API-CG, as organizações afirmam ainda que a Guiné-Bissau “não é um protetorado” e defendem que o futuro constitucional do país deve ser decidido exclusivamente pelo povo guineense, através de um processo democrático, livre e inclusivo.

As duas plataformas acusam igualmente a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) de ter validado o golpe de Estado na Guiné-Bissau, considerando que o comunicado final da 69.ª Cimeira Ordinária da organização constitui uma tentativa de impor uma “ordem constitucional fabricada nos gabinetes”.

Segundo o documento, as conclusões da cimeira realizada a 19 de julho, na Serra Leoa, contradizem a posição assumida pela organização na sua 68.ª Cimeira, realizada em dezembro de 2025, que defendia uma transição civil breve e liderada por um governo inclusivo.

No comunicado, datado de 22 julho de 2026, as plataformas denunciam que a situação política e o respeito pelos direitos fundamentais na Guiné-Bissau não registaram melhorias desde dezembro de 2025.

Continuam alias a verificar-se detenções por motivos políticos, restrições às liberdades públicas, encerramento de sedes partidárias e a manutenção das atuais autoridades de transição lembrando a detenção de Domingos Simões Pereira, lider do PAIGC. determinada por um tribunal militar, demonstra, a ausência de vontade das autoridades em respeitar as decisões da CEDEAO.

A libertação de figuras políticas detidas não deve ser interpretada como um gesto de boa vontade, mas sim como uma obrigação política, jurídica e moral.

Para o  PAI-TR e a API-CG a CEDEAO deve adotar medidas concretas e verificáveis e, caso estas não sejam cumpridas, avançar com sanções individuais e patrimoniais contra os responsáveis pelo golpe de Estado.

As duas plataformas exigem uma mediação internacional “verdadeiramente imparcial”, sublinhando que qualquer processo de diálogo deve ser transparente, inclusivo e orientado para a defesa da vontade soberana do povo guineense, sem servir para legitimar o atual regime de transição.

Entre as principais reivindicações apresentadas à organização regional figuram o reconhecimento da rutura da ordem constitucional, a libertação imediata e incondicional de Domingos Simões Pereira e de todos os detidos por motivos políticos, a criação de condições para um diálogo nacional inclusivo, a participação de todos os atores políticos no processo de transição, a realização de qualquer referendo ou eleição apenas num ambiente de liberdade, segurança e imparcialidade, bem como o envio de uma missão internacional independente para avaliar a situação dos direitos humanos no país.