Dois dias depois, num grampo autorizado pela Justiça, a irmã dele disse que ele sabia da “ordem que saiu para que ele fosse um arquivo morto”. A história de Adriano é contada na série documental Vale o Escrito, do Globoplay, sobre a guerra do jogo do bicho no Rio, com entrevista da viúva, Júlia Lotufo.
Adriano não foi o único homenageado depois preso. Em 2004, Flávio propôs uma moção ao PM Ronald Paulo Alves Pereira, que já era investigado por uma chacina. Em janeiro de 2019, Ronald e Adriano foram os principais alvos da Operação Intocáveis, suspeitos de integrar o Escritório do Crime. Ronald foi preso, e em fevereiro de 2026 o STF o condenou a 56 anos de prisão pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, contado no capítulo 4. Em 2005, a pedido de Flávio, a Alerj homenageou o policial civil Flávio Pacca Castello Branco, preso em 2019, acusado de extorsão.
“Na época, o PM era investigado por participar de uma chacina que matou quatro jovens”
Congresso em Foco, sobre o major Ronald, homenageado por Flávio em 2004 e condenado em 2026 pelo assassinato de Marielle
Levantamento da revista piauí nos registros da Alerj, publicado em 2019, mostra que Flávio aprovou 495 moções e 32 medalhas para policiais e militares em quatro mandatos, e que ao menos 23 homenageados eram réus ou condenados. Entre eles estão o major Edson Raimundo dos Santos, condenado a 13 anos e 7 meses como “mentor intelectual” da tortura do ajudante de pedreiro Amarildo, na Rocinha; o major Edson de Góes, homenageado no mesmo dia que Ronald e condenado por lavagem de dinheiro depois que o MP achou R$ 287,6 mil em dinheiro vivo na casa dele; dois PMs que Flávio chamou de “dignos representantes” da corporação e que depois viraram réus por homicídio; e Fabrício Queiroz, homenageado em 2003. Em 2014, Flávio homenageou o tenente-coronel da reserva Lício Maciel quando ele já tinha sido denunciado por sequestro na repressão à Guerrilha do Araguaia.
Como advogado, Flávio também defende policiais acusados de homicídio, como o cabo Bruno Delaroli, acusado de matar Ana Clara, de 5 anos, em Niterói. Essa história está no subcapítulo 5.1.
No Senado, Flávio defendeu um projeto de armas enviado pelo governo de Jair Bolsonaro que, na Câmara, ganhou o fim da marcação de munições compradas por polícias e outros órgãos de segurança. A marcação grava no cartucho o lote e o comprador. Ela ajudou a identificar que as balas que mataram Marielle eram de um lote vendido à Polícia Federal, e foi pelos lotes que o Intercept mostrou que milicianos usaram contra policiais, em Itaguaí, munição comprada pelo próprio Estado. Em março de 2022, na CCJ, Flávio pediu que o projeto fosse a voto “com tudo que tem direito, sem as concessões”. Na sabatina da TV Globo, em outubro de 2026, chamou a marcação de “detalhezinho”.
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