A direção artística volta a ser assegurada pelo violinista e maestro alemão Christoph Poppen e pela soprano Juliane Banse, duas figuras profundamente ligadas à criação e ao crescimento do festival. Poppen e Banse conheceram Marvão em 2010, durante uma viagem familiar pela região, e dessa ligação à paisagem, ao silêncio e ao património da vila nasceu a ideia de organizar um encontro musical naquele território. A primeira edição realizou-se em 2014.
O programa de 2026 atravessa vários séculos da história da música e integra obras de aproximadamente 83 compositores e outros autores. Bach, Mozart, Beethoven, Schubert, Stravinsky e Prokofiev surgem ao lado de criadores contemporâneos como Unsuk Chin e Alice Yeung, numa programação que procura aproximar o grande repertório clássico das novas linguagens musicais.
A estreia europeia de “Time (in-)Linear”, da compositora de Hong Kong Alice Yeung, figura entre os principais momentos desta edição. A obra, escrita para harmónica cromática, piano de jazz e orquestra, teve a sua estreia mundial em Hong Kong, em junho, sob a direção de Christoph Poppen.
O festival assinalará também os 50 anos da morte do compositor britânico Benjamin Britten, com um programa dedicado à sua música vocal e de câmara, e apresentará um concerto centrado na obra de Isang Yun, um dos mais importantes compositores coreanos do século XX.
Concertos orquestrais, música de câmara, recitais, repertório coral, lied, fado, jazz e propostas noturnas compõem uma programação marcada pela diversidade de formatos e pela utilização artística do património local.
Uma das características distintivas do FIMM é a relação entre música, arquitetura e paisagem. O pátio e a cisterna do Castelo de Marvão, as igrejas de São Tiago, do Espírito Santo e de Nossa Senhora da Estrela, bem como as ruínas da cidade romana de Ammaia, serão novamente convertidos em salas de concerto.
Cada espaço condiciona e, simultaneamente, valoriza a experiência musical. As igrejas proporcionam maior proximidade entre intérpretes e público, enquanto a cisterna do castelo permite concertos mais intimistas e experimentais. Já o castelo e as ruínas de Ammaia acolhem os espetáculos de maior dimensão, beneficiando da força cénica da paisagem da Serra de São Mamede.
O reconhecimento desta relação singular entre património e criação artística ganhou nova projeção em março, quando o Castelo de Marvão, através do FIMM, foi distinguido nos Iberian Festival Awards, que premeiam festivais e espaços culturais da Península Ibérica.
Paralelamente à programação musical, o público poderá participar em visitas guiadas, aulas de desenho, instalações artísticas e atividades dirigidas às crianças. O programa inclui ainda uma nova edição do Coro do Festival de Marvão, sob a direção do maestro Pedro Teixeira.
A abertura oficial está marcada para 24 de julho, às 19h30, no Castelo de Marvão, dando início a uma programação que se prolongará até 2 de agosto.
A dimensão do evento representa um impacto significativo para um concelho com aproximadamente três mil habitantes. Durante o festival, a procura de alojamento, restauração, transportes e outros serviços aumenta substancialmente, trazendo visitantes de várias regiões portuguesas, da vizinha Extremadura espanhola e de diferentes países europeus e extraeuropeus.
O crescimento do FIMM já levou a organização a reconhecer os limites da atual capacidade hoteleira e das infraestruturas locais. Entre as possibilidades em estudo encontra-se a construção de um auditório que permita acolher programação cultural ao longo de todo o ano, reduzindo a dependência de espetáculos ao ar livre e ampliando a projeção cultural e económica de Marvão.
A Marvão Music é uma associação cultural sem fins lucrativos, reconhecida desde 2021 com o Estatuto de Utilidade Pública. O festival conta com o apoio de parceiros como o Banco BPI, a Fundação “la Caixa” e a fundação alemã Anja Fichte, além do alto patrocínio do Presidente da República.
Mais do que receber concertos, Marvão volta, assim, a assumir-se como lugar de encontro entre culturas, gerações e diferentes tradições musicais. Durante dez dias, as muralhas, igrejas e ruínas do concelho deixarão de ser apenas testemunhos da história para se tornarem parte viva da experiência artística.