Perante a escalada dos conflitos internacionais, Lula criticou o funcionamento do Conselho de Segurança da ONU e afirmsndo  que a principal instância da organização deixou de cumprir seu papel de mediação das crises globais.

“O Conselho de Segurança, os membros permanentes que são França, Inglaterra, Rússia, China e EUA. Então, eles não se reúnem. Ninguém discute nada. Então as coisas vão acontecendo”, afirmou o presidente.

Lula revelou que já iniciou contatos diretos com líderes das principais potências mundiais para tentar estimular uma articulação diplomática.

“Semana passada liguei para o Xi Jinping para falar da necessidade do Conselho de Segurança se reunir. Ontem eu falei com meu amigo Putin, para a gente se reunir. Vou falar com o Trump também”, declarou.

Ao abordar a operação militar especial russa na Ucrânia, Lula voltou a defender uma solução negociada e afirmou que as previsões feitas no início do conflito não se confirmaram.

“Pensava-se, alguns, que o Putin ia ganhar em três meses. Pensavam, outros, que os EUA iam colocar muito dinheiro e que a Ucrânia ia destruir a Rússia. Podemos dizer que não aconteceu nem um e nem outro”, disse.

Segundo o presidente, o prolongamento da guerra evidencia a necessidade de retomada das negociações internacionais.

“Vamos para cinco anos. Você percebe que tem dificuldade de um acordo (…) Porque o Conselho da ONU não funciona mais como deveria funcionar”, acrescentou.

Lula também acentuou que a crise na Ucrânia não é um caso isolado e citou outros focos de tensão que, mostram a ausência de mecanismos eficazes de mediação internacional.

“Os EUA matou o Khamenei, achando que tinha ganhado a guerra contra o Irã. E a guerra mal tinha começado. Agora, todos nós somos vítimas do cerco do petróleo no Estreito de Ormuz. Todo mundo está pagando o preço”, afirmou.

Na sequência, o presidente voltou a criticar a atuação de Israel na Faixa de Gaza.

“Israel continua invadindo Gaza e continua matando palestino, matando libanês e continua achando que é dono do mundo. Então é o seguinte, você não tem, em nível internacional, uma esfera para discutir isso e chamar para uma negociação”, declarou.

As declarações reforçam a opção histórica do governo brasileiro por uma maior atuação diplomática da ONU e por mecanismos multilaterais de negociação para enfrentar os principais conflitos internacionais.