O presidente brasileiro Lula da Silva defendeu, na quarta-feira, 01.07, a soberania digital das nações do Sul Global, ao mesmo tempo em que exigiu uma conduta ética e responsável das grandes empresas de tecnologia — as chamadas "Big Techs". 

Estas declarações durante um almoço de trabalho na Cúpula do G7 em Évian (Evian-les-Bains), na França, permititam-lhe  alertar para os riscos de que a tecnologia possa "ampliar, em vez de reduzir, as desigualdades".

Ao ser convidado para um painel focado em inteligência artificial e na proteção de menores no ambiente online, Lula afirmou que “a participação das grandes empresas de tecnologia é indispensável para que o futuro digital seja construído e vivenciado de maneira segura, ética e alinhada ao interesse público”.

O PR Lula sustentou que a regulação do ecossistema é essencial para a proteção de direitos fundamentais.

Ao referir-se ao funcionamento do Pix, Lula destacou que o sistema de transferência instantânea é “uma das nossas maiores conquistas para os cidadãos brasileiros — um sistema de pagamento público e gratuito que serve de referência sobre como a integração de dados pode promover a inclusão financeira e a eficiência digital”.

Lula  também destacou os avanços legislativos do país em relação à proteção infantil e defendeu a aplicação prática de diretrizes internacionais para prevenir o aumento de crimes cibernéticos, discursos de ódio e formas precárias de trabalho.

Para Lula, as nações soberanas devem avançar no âmbito de fóruns internacionais legítimos e citou os progressos alcançados com o Pacto Digital Global — aprovado nas Nações Unidas (ONU), em Nova York — tendo  observado que o próximo passo crucial para estabelecer uma governança democrática da inteligência artificial deve ocorrer durante o Diálogo Digital da União Internacional de Telecomunicações (UIT), previsto para julho, em Genebra.

A diplomacia brasileira manteve o foco na consolidação de propostas de consenso multilateral durante as sessões plenárias abertas do G7.

Na França, Lula reiterou que o país continuaria a fortalecer um ambiente digital interno baseado em "segurança jurídica, previsibilidade regulatória e tratamento igualitário para empresas nacionais e estrangeiras".