Na Vila Euclides Lula apresentou as linhas gerais de um novo ciclo baseado em educação, emprego, tecnologia e industrialização, no extremo Norte do país o presidente coloca no centro da agenda outro elemento decisivo de seu projeto: a recuperação da Petrobras como instrumento de desenvolvimento nacional e soberania energética.
Às 13h, Lula visita o navio-sonda da Petrobras no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial.
Depois da visita, às 15h, estão previstas intervenções no Aeroporto de Oiapoque.
A viagem ganha dimensão política adicional depois dos avanços na exploração de petróleo no Amapá e ocorre no momento em que Lula começa a apresentar ao país as prioridades de um eventual quarto governo.
Na Vila Euclides, cenário das históricas greves do ABC de 1979 e 1980, Lula lançou sua candidatura à reeleição conectando o futuro que pretende construir às origens de sua trajetória política.
O presidente afirmou que o Brasil ainda está distante de realizar plenamente seu potencial e sintetizou a ambição de um novo mandato em uma frase: “nós vamos fazer desse país uma grande nação”.
Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin vao apresentar o programa de governo nas próximas semanas com a industrialização, a educação, a geração de empregos, o domínio tecnológico e a agregação de valor aos recursos naturais brasileiros a ocupar posição central na plataforma.
O petróleo encontrado no Amapá pode representar, na visão defendida pelo governo, não apenas uma nova fronteira de produção, mas uma oportunidade para financiar investimentos, ampliar a infraestrutura, estimular a indústria naval, desenvolver fornecedores nacionais e acelerar a transição energética.
A mensagem política é clara: o Brasil deve transformar suas riquezas naturais dentro do próprio país, gerar empregos qualificados e utilizar os recursos produzidos pela exploração petrolífera para preparar a economia brasileira para uma nova era tecnológica.
Nesse desenho, a Petrobras emerge como um dos grandes eixos de um eventual governo Lula 4.
Depois de anos em que a estatal foi submetida a uma estratégia centrada na venda de ativos, redução de investimentos e concentração de suas atividades, o governo Lula recolocou a empresa no centro da política energética e industrial brasileira.
A presença do presidente em um navio-sonda da companhia na Margem Equatorial reforça simbolicamente essa mudança de orientação.
A Petrobras deixa de ser tratada apenas como produtora e exportadora de petróleo e volta a ser concebida como instrumento de planeamento economico, inovação tecnológica, geração de empregos, desenvolvimento regional e soberania nacional.
A Margem Equatorial aparece como uma possível nova etapa dessa trajetória.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, atribuiu o avanço no Amapá à liderança do presidente Lula e à condução política realizada pelo governo federal ao longo de mais de três anos.
Segundo a avaliação apresentada pelo ministro, Petrobras e Advocacia-Geral da União tiveram papel fundamental no processo.
A exploração da Margem Equatorial se conecta diretamente a outro ponto apresentado por Lula no lançamento de sua candidatura: a necessidade de o Brasil deixar de ocupar apenas a posição de fornecedor de matérias-primas.
O presidente defendeu que minerais e terras raras encontrados no território brasileiro sejam transformados em produtos industriais de maior valor agregado.
A mesma lógica pode ser aplicada ao petróleo e em vez de limitar a política energética à extração e exportação de óleo cru, um eventual governo Lula 4 poderá aprofundar uma estratégia baseada em refino, petroquímica, fertilizantes, indústria naval, engenharia nacional, pesquisa tecnológica e fortalecimento das cadeias brasileiras de fornecedores.
Essa orientação recupera uma característica histórica da Petrobras: sua capacidade de induzir investimentos muito além do setor petrolífero.