Luís Figo pediu, esta quarta-feira, 5 de agosto, a demissão imediata de Gianni Infantino da presidência da FIFA, lançando um dos mais duros ataques públicos até agora dirigidos ao dirigente suíço.

Num artigo de opinião publicado no jornal britânico Daily Mail, o antigo capitão da Seleção Nacional e atual assessor de futebol da UEFA resumiu a solução para a crise em três palavras: “Infantino deve sair.”

Figo acusou o presidente da FIFA de ter conduzido de forma pouco transparente o projeto destinado a abrir a exploração comercial dos Campeonatos do Mundo a investidores privados. O antigo futebolista classificou o comportamento de Infantino como o mais “baixo, enganador e cobardemente movido pelo interesse próprio” que testemunhou no futebol.

Ao longo do texto, o português sustenta que Infantino tentou promover uma transformação profunda na estrutura económica da FIFA sem explicar devidamente os riscos e as implicações às federações que integram o organismo.

Figo acusa ainda o dirigente de procurar beneficiar pessoalmente com a operação e de favorecer pessoas próximas. Estas são acusações feitas pelo antigo internacional português e não factos judicialmente comprovados. Para Figo, porém, o episódio demonstra que Infantino se tornou “uma relíquia do passado do futebol” e que já não deve participar na definição do futuro da modalidade. As declarações foram reproduzidas pelo The Guardian.

Um negócio de milhares de milhões

No centro da polémica está a proposta de criação da FIFA Forward Enterprise, uma nova entidade que concentraria os direitos comerciais da FIFA — incluindo transmissão televisiva, patrocínios, bilhética e licenciamento — e participaria na organização operacional dos seus torneios.

O plano previa a venda de uma participação de 20% a investidores privados. Segundo informações divulgadas pela Reuters e pela Associated Press, a empresa seria avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares e a operação poderia render aproximadamente 4,2 mil milhões de dólares à FIFA. 

A proposta provocou forte oposição da UEFA, da Confederação Asiática de Futebol e da Concacaf, responsável pelo futebol na América do Norte, América Central e Caraíbas. As críticas centraram-se na falta de consulta, nos riscos para a governação da FIFA e na possibilidade de investidores privados passarem a influenciar a exploração comercial da principal competição de futebol do mundo.

Perante a contestação, Infantino acabou por abandonar o projeto. A UEFA declarou ter perdido a confiança no presidente da FIFA e defendeu uma avaliação completa do processo. A proposta e a reação das confederações foram também detalhadas pela Sky Sports.

FIFA admite erros, mas rejeita ilegalidades

Após uma reunião de emergência realizada em Rabat, Marrocos, a FIFA reconheceu oficialmente que foram cometidos erros na condução da proposta e admitiu que o Conselho da FIFA e as 211 federações nacionais não deveriam ter-se sentido excluídos.

O organismo apresentou um pedido de desculpas, prometeu realizar uma revisão interna e confirmou que o projeto foi definitivamente retirado. Apesar disso, a FIFA sustentou que todas as decisões tomadas respeitaram o seu quadro regulamentar. 

A intervenção de Luís Figo assume particular peso devido à sua projeção internacional e à relação institucional que mantém com a UEFA. O antigo jogador de Sporting, Barcelona, Real Madrid e Inter de Milão exerce funções como assessor de futebol do organismo europeu desde 2017. 

O ataque público surge quando a liderança de Infantino enfrenta crescente contestação interna e externa, a poucos meses do início formal da corrida às eleições presidenciais da FIFA, previstas para março de 2027.

Para Figo, a retirada do plano já não é suficiente para reparar os danos provocados. O antigo internacional considera que Infantino perdeu a legitimidade necessária para continuar à frente da organização e que a sua saída é indispensável para recuperar a confiança na governação do futebol mundial.