Figo acusou o presidente da FIFA de ter conduzido de forma pouco transparente o projeto destinado a abrir a exploração comercial dos Campeonatos do Mundo a investidores privados. O antigo futebolista classificou o comportamento de Infantino como o mais “baixo, enganador e cobardemente movido pelo interesse próprio” que testemunhou no futebol.
Ao longo do texto, o português sustenta que Infantino tentou promover uma transformação profunda na estrutura económica da FIFA sem explicar devidamente os riscos e as implicações às federações que integram o organismo.
Figo acusa ainda o dirigente de procurar beneficiar pessoalmente com a operação e de favorecer pessoas próximas. Estas são acusações feitas pelo antigo internacional português e não factos judicialmente comprovados. Para Figo, porém, o episódio demonstra que Infantino se tornou “uma relíquia do passado do futebol” e que já não deve participar na definição do futuro da modalidade. As declarações foram reproduzidas pelo The Guardian.
No centro da polémica está a proposta de criação da FIFA Forward Enterprise, uma nova entidade que concentraria os direitos comerciais da FIFA — incluindo transmissão televisiva, patrocínios, bilhética e licenciamento — e participaria na organização operacional dos seus torneios.
O plano previa a venda de uma participação de 20% a investidores privados. Segundo informações divulgadas pela Reuters e pela Associated Press, a empresa seria avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares e a operação poderia render aproximadamente 4,2 mil milhões de dólares à FIFA.
A proposta provocou forte oposição da UEFA, da Confederação Asiática de Futebol e da Concacaf, responsável pelo futebol na América do Norte, América Central e Caraíbas. As críticas centraram-se na falta de consulta, nos riscos para a governação da FIFA e na possibilidade de investidores privados passarem a influenciar a exploração comercial da principal competição de futebol do mundo.
Perante a contestação, Infantino acabou por abandonar o projeto. A UEFA declarou ter perdido a confiança no presidente da FIFA e defendeu uma avaliação completa do processo. A proposta e a reação das confederações foram também detalhadas pela Sky Sports.
Após uma reunião de emergência realizada em Rabat, Marrocos, a FIFA reconheceu oficialmente que foram cometidos erros na condução da proposta e admitiu que o Conselho da FIFA e as 211 federações nacionais não deveriam ter-se sentido excluídos.
O organismo apresentou um pedido de desculpas, prometeu realizar uma revisão interna e confirmou que o projeto foi definitivamente retirado. Apesar disso, a FIFA sustentou que todas as decisões tomadas respeitaram o seu quadro regulamentar.
A intervenção de Luís Figo assume particular peso devido à sua projeção internacional e à relação institucional que mantém com a UEFA. O antigo jogador de Sporting, Barcelona, Real Madrid e Inter de Milão exerce funções como assessor de futebol do organismo europeu desde 2017.
O ataque público surge quando a liderança de Infantino enfrenta crescente contestação interna e externa, a poucos meses do início formal da corrida às eleições presidenciais da FIFA, previstas para março de 2027.
Para Figo, a retirada do plano já não é suficiente para reparar os danos provocados. O antigo internacional considera que Infantino perdeu a legitimidade necessária para continuar à frente da organização e que a sua saída é indispensável para recuperar a confiança na governação do futebol mundial.