Questionado sobre a possibilidade de uma reaproximação entre os dois países, Peskov respondeu que o Kremlin não alimenta essa expectativa: “Não temos essa esperança.”
Segundo o porta-voz, Moscovo tomou nota das primeiras declarações de Burnham em apoio à Ucrânia e interpreta a continuidade da ajuda britânica a Kiev como uma intenção de prolongar o conflito.
Andy Burnham assumiu oficialmente o cargo de primeiro-ministro no dia 20 de julho de 2026. Numa das suas primeiras iniciativas diplomáticas, abordou com o presidente francês, Emmanuel Macron, a manutenção do apoio à Ucrânia e o trabalho desenvolvido pela chamada Coligação dos Voluntários. Londres apresenta esse apoio como uma forma de ajudar a Ucrânia a resistir à invasão russa. O Governo britânico confirmou oficialmente a tomada de posse e o conteúdo da conversa com Macron.
Peskov voltou também a manifestar a oposição russa à possibilidade de serem destacadas forças ocidentais para território ucraniano como parte de futuras garantias de segurança.
O porta-voz afirmou que esses planos já não devem ser encarados como uma simples hipótese, mas como uma possibilidade concreta em discussão entre vários países europeus, incluindo membros da NATO.
Para Moscovo, a eventual presença de tropas estrangeiras na Ucrânia seria “completamente inaceitável”. Peskov reiterou ainda a posição oficial do Kremlin segundo a qual um dos objetivos daquilo que a Rússia designa por “operação militar especial” consiste precisamente em impedir o estabelecimento de forças ocidentais naquele país.
Esta é, contudo, a justificação apresentada pelas autoridades russas para a guerra. O Reino Unido e os restantes aliados de Kiev qualificam o conflito como uma invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia.
Até ao momento, as iniciativas europeias conhecidas têm sido apresentadas sobretudo como possíveis garantias de segurança a aplicar no contexto de um eventual cessar-fogo ou acordo de paz, e não como uma intervenção direta das forças da NATO no atual conflito.
Na mesma conferência de imprensa, Peskov afirmou que as Forças Armadas russas continuarão a atacar embarcações que Moscovo considere envolvidas no transporte de armamento, munições ou outros equipamentos militares destinados à Ucrânia.
A declaração surgiu a propósito de um ataque contra um navio no porto de Odesa, no qual, segundo as autoridades indianas, terão morrido quatro cidadãos daquele país. Peskov afirmou que Moscovo mantém contactos com Nova Deli para explicar a sua posição.
O Kremlin não apresentou publicamente, nessa declaração, provas específicas sobre a natureza da carga transportada pela embarcação. Por esse motivo, a alegação de que o navio estaria envolvido no abastecimento militar da Ucrânia deve ser atribuída às autoridades russas e não apresentada como um facto confirmado de forma independente.
As declarações de Peskov mostram que a chegada de Andy Burnham a Downing Street dificilmente alterará, no imediato, o estado das relações entre o Reino Unido e a Rússia. O apoio britânico à Ucrânia, a discussão europeia sobre futuras garantias de segurança e o aumento dos incidentes marítimos continuam a colocar Londres e Moscovo em posições profundamente opostas.