A Amnistia Internacional vai reunir jovens de diferentes pontos do país, entre os 14 e os 24 anos, para analisar o impacto da desinformação, das narrativas de ódio e dos discursos de medo no crescimento do autoritarismo.

A 28.ª edição do EJA — Encontro de Jovens Ativistas realiza-se entre 2 e 6 de setembro de 2026, na Serra da Estrela. Ao longo de cinco dias, os participantes serão convidados a refletir sobre a forma como determinadas narrativas dividem comunidades, criam fronteiras entre “nós” e “eles” e contribuem para colocar direitos fundamentais em risco.

Num contexto marcado pela propagação acelerada de conteúdos falsos ou manipulados, a organização pretende proporcionar aos jovens ferramentas para reconhecerem estas dinâmicas e compreenderem como podem ser utilizadas para justificar o controlo social, silenciar vozes críticas e concentrar o poder.

“Num momento em que crescem discursos de medo, divisão e desinformação, o EJA propõe-se ser um espaço onde podemos compreender melhor estas dinâmicas e refletir sobre o papel do ativismo na defesa dos direitos humanos”, afirma Matia Losengo, da Amnistia Internacional.

Segundo o responsável, as narrativas que procuram separar pessoas e comunidades são frequentemente utilizadas para enfraquecer direitos e legitimar práticas autoritárias.

Aprender a identificar e desconstruir narrativas

O programa combina a apresentação do trabalho desenvolvido pela Amnistia Internacional com testemunhos de ativistas, sessões interativas, debates e espaços de reflexão crítica. Estão igualmente previstos momentos informais de convívio e partilha entre os participantes.

As atividades seguem os princípios da educação não formal e incluem discussões em plenário, trabalhos de grupo, exercícios experienciais, reflexões individuais e análise crítica de narrativas. A metodologia procura estimular a participação ativa dos jovens, colocando-os no centro do processo de aprendizagem.

O encontro pretende também discutir o papel do ativismo juvenil na construção de sociedades mais justas e na proteção de pessoas perseguidas pela sua identidade, pelas suas convicções ou pelas causas que defendem.

“Em muitos lugares do mundo há pessoas que continuam a ser alvos por quem são ou pelo que defendem. Mas também há ativistas, muitos deles jovens, que questionam, resistem e querem contribuir para uma sociedade mais justa. É importante aproveitar e potenciar esse ativismo”, sustenta Matia Losengo.

Mais de dois mil jovens participaram no EJA

Organizado há mais de 25 anos, o EJA chega em 2026 à sua 28.ª edição. De acordo com a Amnistia Internacional, mais de dois mil jovens já participaram no encontro, mantendo-se muitos deles posteriormente ligados ao ativismo, à participação cívica e à defesa dos direitos humanos nas escolas, nas comunidades e nos seus percursos pessoais e profissionais.

O programa decorre durante os cinco dias, incluindo atividades noturnas, embora reserve períodos para pausas, descanso e interação informal.

Após o encontro, os participantes podem continuar ligados à Amnistia Internacional individualmente, através do MAPA — uma comunidade de WhatsApp destinada a jovens ativistas —, ou coletivamente, integrando grupos existentes em 14 distritos ou criando novos núcleos de ativismo.

Fundo EJA procura tornar encontro mais inclusivo

A edição de 2026 fica também marcada pela criação do Fundo EJA, uma iniciativa destinada a apoiar a continuidade do projeto e a facilitar a participação de jovens que enfrentem dificuldades económicas.

Os contributos podem financiar a participação de jovens, apoiar atividades específicas do programa ou funcionar como donativos estruturantes da edição. O objetivo, segundo a organização, é reforçar a inclusão e evitar que as condições económicas impeçam alguém de participar.

Num tempo em que as redes sociais ampliam tanto o acesso à informação como a circulação de conteúdos enganosos e discursos polarizadores, o EJA procura transformar o pensamento crítico em participação cívica. A proposta é preparar uma nova geração de ativistas para reconhecer, questionar e desconstruir as narrativas que ameaçam os direitos humanos e a vida democrática.