Nao vale fugir à realidadde a troika foi um momento de assassinato da lusa economia empresarial 

Vejamos a evolução Histórica (2005 - 2024) da construção de fogos

2005 - 2007 (tempo Socrates)

O período começou com volumes ainda elevados. Em janeiro de 2007, registou-se o máximo histórico com mais de 4.800 edifícios licenciados num único mês. O país construía a ritmos elevados antes do embate financeiro.

2008 - 2015 (A Crise e o Mínimo Histórico em tempo que caiu de Socrates para o passosportismo)

Com a crise do subprime e a intervenção da Troika, o setor colapsou. O mínimo histórico absoluto ocorreu em agosto de 2015, (a PAF passospórtista lembram-se?) com apenas 1.084 unidades licenciadas a nível nacional.

2016 - 2024 (tempo Antonio Costa e inicio Montenegro)

O setor iniciou uma retoma sólida alavancada pelo turismo, reabilitação urbana e nova procura. O licenciamento de fogos (habitações) subiu consistentemente dos cerca de 10.000/ano na crise para 39.096 fogos em 2023 e 42.612 fogos em 2024.

Vejamos a evolução

Ano Fogos
2016 15.500
2017 21.300
2018 25.000
2019 36.000
2020 34.800
2021 39.000
2022 37.930
2023 39.096
2024 42.612
2025 48.844
2026 26.000 até julho

Mas entretanto lembremos outra realidade: a dos fogos devolutos.

Censo Fogos devolutos
2011 735.000
2021 723.215

Isto é a apropriaçao privatista retira do Mercado para travar a Oferta: algo entre 723.216 e 735.000 fogos de 2011 a 2021!

Ora estes fogos devolutos de aocupados resolveriam 50,8% das necessidades de habitaçoes em Portugal!

Assumamos de qualquer forma que o ano de 2025 consolidou a maior atividade do setor desde a crise financeira:

  • Edifícios Licenciados: 26.227 edifícios (+1,4% face a 2024).

  • Fogos (Habitações) Licenciados: 48.844 fogos, um salto expressivo de +14,6% face ao ano anterior, marcando o valor mais elevado desde 2011. Deste total, 42.066 foram destinados a construções totalmente novas.

O Cenário Atual em 2026 (Sinais Mistos)

Os dados acumulados até ao segundo e terceiro trimestre de 2026 mostram uma mudança de dinâmica: há menos projetos aprovados (edifícios), mas cada projeto inclui mais habitações (fogos):

  • Queda nos Edifícios: No primeiro semestre de 2026, as licenças totais de construção e reabilitação caíram cerca de 6,9% a 7,1% em termos homólogos. No 2.º trimestre de 2026 foram licenciados 6,2 mil edifícios (recuo de 5,6% nas construções novas e queda de 11,9% na reabilitação).

  • Crescimento nos Fogos Habitacionais: Apesar de haver menos edifícios a avançar, o número total de fogos licenciados em construções novas subiu 4,5% no acumulado até julho. Só no 2.º trimestre de 2026, o licenciamento de habitações familiares novas acelerou 10,8% face ao ano anterior. Até setembro de 2026, a AICCOPN registava 25.854 fogos licenciados em construções novas no acumulado do ano.

A capacidade de construção

Maz vejamos um outro contexto desta atividade: a da capacidade de construção!

Desde 2010, encerram atividade 39.641 empresas de construção e imobiliário em Portugal.

Em 2014, as falências caíram 17,3% mas ainda representam mais de um quarto do total nacional, diz a CPCI.

Em 2016 noticiava-se:

“sector da construção alertou esta manhã, no Porto, para o perigo de desapareceram 8.500 empresas e 35.000 empregos este ano se nada mudar no investimento público.”

(fevereiro 2016)

E mais:

“Em novembro bateram-se recordes negativos no que diz respeito ao lançamento de concursos de obras públicas, já que apenas foram promovidos 56,4 milhões de euros, menos 28% que em setembro, é o valor mais baixo desde janeiro de 2010. Segundo a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), é possível concluir que 2015 é ‘o pior ano de sempre em termos de investimento público em Portugal’.”

(idealista)

Portugal sobreviveu apesar de ter perdido o imperio colonial mais duradouro de todos (por inflexibilidade salazarenta e do caetano padrinho de Marcelo Rebelo de Sousa) mas vive desde entao em sistematica fragilidade que nao se vê somente na habitação.

A cultura privatista portuguesa talvez a sua maior limitacao passou da micro propriedade rural (hoje ainda existente e criadora da maioria dos imcendios florestais) para a “casinha portuguesa concerteza” que está por detras da especulação feita a partir da retirada do mercado dos tais 700 mil fogos!

E lembremos a mais atenta Codadã, de sempre, no risco da especulação imobiliária, “Conselhos a uma ministra jovem”:

Em 1974 havia no nosso país mais famílias do que casas, estimando-se na altura a falta de mais de meio milhão de fogos. Hoje a situação inverteu-se, há muito mais casas do que famílias. O excedente em casas vazias, excluindo naturalmente as residências secundárias, é superior a 700.000 alojamentos. A mobilização de uma pequena parte deste excedente, em condições devidamente reguladas, permitiria multiplicar a habitação disponível. É altura de pedir à academia e aos poderes públicos que promovam o estudo aprofundado das razões para um tão grande e inaceitável desperdício de recursos habitacionais.

Conselhos a uma ministra jovem, Helena Roseta, in publico.