2278 euros por m2! "Não gostei do que vi", diz o PR, "Acabem com o passa-culpas"

Seguro quebra silêncio quanto às manifestações e insiste no diálogo

O presidente da República disse que tem estado desde sábado a acompanhar os ecos das manifestações em Lisboa e no Porto.
António José Seguro fez questão de clarificar que "liberdade e lei não são incompatíveis".
O Presidente da República, António José Seguro, condenou esta terça-feira as imagens das manifestações do fim de semana, sobretudo em Lisboa, e exigiu ao Governo, ao Parlamento e aos partidos políticos que deixem de responsabilizar o outro e encontrem soluções concretas para a crise da habitação. 
"Acabem com o passa-culpas. Todos têm responsabilidades", afirmou, numa intervenção marcada por críticas à falta de diálogo político.
Sim vivemos um grave passa-culpas que podemos constatar olhando para o mercado imobiliário português
O mesmo tem registado subidas contínuas e acentuadas nos preços por metro quadrado,
* 2024:
* O ano começou com valores médios de avaliação bancária em torno de 1.644 €/m² no 1.º trimestre, subindo para 1.870 €/m² no 4.º trimestre.
* Nos portais imobiliários a média nacional situava-se abaixo dos 2.700 €/m², com subidas anuais acumuladas na ordem dos 12%.
* 2025:
* Os preços continuaram a acelerar trimestre após trimestre.
* O valor da avaliação bancária passou de 1.951 €/m² no 1.º trimestre para 2.198 €/m² no 4.º trimestre.
* O Índice de Preços da Habitação do INE indicou uma subida média anual de cerca de 17,6% ao longo de 2025.
* 2026:
* No 1.º trimestre de 2026, o valor mediano da habitação situou-se nos 2.337 €/m² (segundo dados do INE), enquanto os preços de oferta nos portais imobiliários atingiram médias nacionais perto dos 3.210 €/m²(julho de 2026).
* Em setembro de 2026, a avaliação bancária renovou máximos nos 2.278 €/m² (com variações homólogas de dois dígitos em quase todas as regiões).
* Portugal surge como um dos países da União Europeia com maiores subidas acumuladas nos últimos anos.
Disparidades Regionais (2026)
Os valores por m² variam de forma muito acentuada consoante a região:
* Lisboa (Concelho): Continua a ser o concelho mais caro do país, ultrapassando os 5.192 €/m² a 5.200 €/m² em média (com freguesias de topo e concelhos limítrofes como Cascais a superarem os 5.000 €/m²).
* Área Metropolitana de Lisboa: Regista médias em torno dos 4.450 €/m² a 4.501 €/m².
* Algarve (Faro): Mantém-se na faixa dos 4.165 €/m².
* Interior Norte / Centro (ex: Guarda): Permanece como a região mais acessível do país, com médias situando-se em redor dos 721 €/m².
Depois de um silencio de uma semana o PR Seguro foi direto na avaliação dos acontecimentos. 
"Não gostei das imagens que vi, sobretudo as de sábado, em Lisboa", declarando que tem acompanhado a situação com preocupação e solicitado informações às entidades competentes.
Para o PR Seguro, as imagens divulgadas não são compatíveis com aquilo que se espera de uma democracia consolidada. "A lei e a liberdade não são incompatíveis", sublinhou, defendendo que "a cultura portuguesa é uma cultura de diálogo, não é uma cultura de violência e de confronto".
O Presidente insistiu que o diálogo tem de prevalecer e questionou a incapacidade dos responsáveis políticos para chegarem a entendimentos.
"Já não sei o que verdadeiramente estão a discutir", afirmou, responsabilizando quem não está disponível para dialogar. "Eu estou e incentivo!"
António José Seguro revelou que o tema das manifestações esteve em cima da mesa na reunião que manteve na segunda-feira com o primeiro-ministro, Luís Montenegro. 
O Presidente da Repúblcia recordou também que, na semana passada, apelou ao entendimento entre os partidos e o Governo, mas voltou a questionar a falta de resultados: "Porque é que não há diálogo? Se há propostas para resolver o problema, porque é que as partes não se entendem?"
O Presidente da República exigiu aos partidos que assumam a responsabilidade de encontrar respostas concretas para o acesso à habitação, em particular por parte dos jovens.
"Custa alguma coisa aos atores políticos, ao Parlamento e ao Governo sentarem-se e encontrarem soluções para esse problema?", questionou, defendendo que a urgência da situação exige mais do que declarações públicas.
António José Seguro considerou "inaceitável" que a idade média de saída dos jovens de casa dos pais seja de 30 anos. "Ter uma casa faz parte de um projeto de vida, não é apenas ter um teto", afirmou, alertando para a situação de uma geração que continua a enfrentar obstáculos para conquistar autonomia.
O chefe de Estado lembrou que, desde que tomou posse, há oito meses, tem insistido na necessidade de resolver o problema da habitação. 
Defendeu que a resposta àquilo que descreveu como uma "geração bloqueada"deve traduzir-se em medidas concretas, e não apenas em discursos políticos.
Nesse sentido, anunciou que convocou os partidos para uma reunião na próxima quinta-feira, reuniu o Conselho de Estado e tem previsto um encontro com especialistas em habitação. 
"Tenho estado ativo, tenho estado vigilante e continuarei vigilante na garantia do Estado de direito democrático do nosso país", assegurou.
Questionado sobre a atuação das autoridades durante as manifestações, António José Seguro recusou antecipar conclusões enquanto estiverem em curso os inquéritos destinados a apurar os acontecimentos.
O Presidente defendeu que é necessário esclarecer se houve algum desvio em relação ao Estado de direito, sublinhando que respeita os procedimentos em curso e que aguardará os respetivos resultados.
Ainda assim, manifestou a expectativa de que as averiguações sejam céleres, para evitar que se prolonguem sem conclusões.
Na intervenção, António José Seguro voltou a insistir na responsabilidade dos diferentes órgãos políticos e na necessidade de encontrar respostas para os problemas que afetam os cidadãos. A mensagem final foi dirigida a todos os intervenientes: "Acabei com o passa-culpas. Todos têm responsabilidades".