O líder comunista defendeu também que "o que se impõe não é andar ainda mais para trás", mas sim "revogar a lei que já hoje está em vigor", que responsabiliza pela atual situação da habitação.
"A chamada 'lei Cristas', essa lei que coloca o país numa situação de insuportáveis rendas, de especulação e profundo desequilíbrio já hoje entre senhorios e inquilinos", criticou sobre a alteração à lei do arrendamento aprovada em 2012, quando Assunção Cristas era ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território de um Governo PSD/CDS-PP da lideranças Passosportista
Para Paulo Raimundo travar as alterações ao arrendamento atualmente em discussão é a "questão fundamental", considerando que é "possível e urgente" impedir a sua aprovação.
"Pouco nos valia revogar a 'lei Cristas' se esta que está em discussão agora fosse para a frente.
Pois esta é a continuação da 'lei Cristas'".
O secretário-geral do PCP afirmou que "uma coisa não implica a outra", mas que "só faz sentido avançar para o patamar seguinte" depois da derrota da "lei que está em discussão".
Paulo Raimundo recordou que o PCP tem apresentado sucessivamente propostas para revogar esta lei, mas que foram sempre rejeitadas por PSD, CDS-PP, Chega e IL, e garantiu que o partido vai insistir nesta e noutras iniciativas já chumbadas.
O secretário-geral do PCP afirmou também que esta iniciativa, "por si só, não resolve o problema", mas que é necessário um "pacote de medidas que seja contrário daquilo que tem sido feito ao longo de décadas".
Paulo Raimundo voltou a referir a necessidade de baixar as rendas, assegurar a estabilidade dos contratos de arrendamento em dez anos e a afetação de 1% do produto interno bruto (PIB) em habitação.
"Nós não desperdiçaremos nenhuma possibilidade, quer no quadro do Orçamento de Estado, quer fora do Orçamento de Estado, de voltar a propor estas medidas, são aquelas que respondem às necessidades", disse.
Raimundo enalteceu ainda a "justa indignação" expressa nas manifestações da CGTP, mas também nos protestos pela habitação no Porto e em Lisboa nos últimos dias.
A CGTP admite a possibilidade de convocar uma nova greve geral contra o aumento do custo de vida, mas alerta que a decisão não deve ser tomada de forma precipitada.