Este Congresso era para ser mais um momento de consolidação da liderança interna, mas está a transformar-se num dos momentos  de maior tensão política da história deste partido.

A burocraticamente decidida anulação da candidatura do general Higino Carneiro à presidência do MPLA é na verdade uma disputa pelo futuro da organização que governa Angola há quase cinco décadas entre facçoes da classe dominante de Angola centrada a 90 e muitos por cento no Mpla.

A decisão da Comissão Preparatória de invalidar a candidatura, alegando irregularidades técnicas e questões relacionadas com processos judiciais, abriu uma crise em todo o regime e Higino Carneiro está a mostrar  o descontentamento vivido mais que no interior do partido, tambem na casta dominante mplista

O facto de um candidato “do regime” declarar ter reunido milhares de assinaturas de apoio  a legalização como candidata e ver a sua candidatura rejeitada, inclina o debate para a confiança nas instituições partidárias.

E neste contexto o jurista angolano Serrote Simão traz pontos de vista novos  rejeitando  as acusações de fraude que levaram à anulação da candidatura de Higino Carneiro à presidência do MPLA.

Segundo  ele as mesmas acusações sao  mera  tentativa de o afastar da corrida à liderança do partido.

Este especialista em Direito questionou via a  DW África, a competência da subcomissão para validar a autenticidade dos documentos apresentados pelo antigo general, sustentando que essa é uma atribuição exclusiva das instituições do Estado, em particular do Ministério da Justiça.

"Não é competência da subcomissão procurar validar a autenticação da documentação apresentada pelo candidato. Essa competência cabe exclusivamente às instituições competentes do Estado", afirmou.

Serrote Simão pôs em causa  que a subcomissão tenha tornado públicas alegações de falsificação de documentos e assinaturas sem indicar que como realizou a verificação junto das entidades oficiais responsáveis pela emissão dos bilhetes de identidade.

Serrote Simão manifestou tambem dúvidas de que a equipa de Higino Carneiro tenha actuado de forma negligente durante a recolha das assinaturas necessárias para formalizar a candidatura.

Alias, a dimensão do trabalho para reunir cerca de 20 mil assinaturas torna improvável que tenham sido cometidas irregularidades de forma deliberada, defendendo que a decisão da subcomissão visa retirar o antigo general da disputa interna pela liderança do MPLA.

Entretanto como temos referido estará para aparecer a “candidatura netista” com Irene Neto o que a suceder trará uma forte possibilidade de uma vitoria da Frente Patriotica Unida - a UNITA, o Bloco Democrático e o PRA-JA