"Sugiro-lhes que elejam um novo líder capaz de chegar a um acordo", afirmou o Presidente estadunidense à imprensa na Casa Branca, condenando os ataques ucranianos às refinarias russas, que, segundo Trump, apenas agravam "o problema mundial" da escassez de gasóleo.

"É do seu interesse parar", advertiu Trump, dirigindo-se ao Presidente ucraniano, numa referência ao anúncio de um acordo, que abalou a UE, entre Moscovo e Washington para a compra em grande escala de gasóleo russo.

O acordo é visto como uma forma de aliviar parcialmente os consumidores estadunidenses a menos de um mês de eleições intercalares cruciais para o futuro do mandato do bilionário estadunidense , ao constituir-se como uma paliativo para o aumento dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos desde o início da guerra lançada em 28 de fevereiro contra o Irão por Trump e pelo governo israelita de Benjamin Netanyahu.

O PR estadunidense declarou tamnem  que o seu homólogo russo, Putin, com quem falou ao telefone na sexta-feira, deseja "veementemente" "chegar a um acordo" para pôr fim à guerra com a Ucrânia.

"A Rússia gostaria de chegar a um acordo (...) mas, por uma razão ou outra, Zelensky não quer chegar a um acordo", afirmou Trump aos jornalistas.

Kirill Dmitriev, o principal negociador económico de Vladimir Putin, considerou "históricas" as declarações de Trump sobre o fim do apoio ao Presidente ucraniano.

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sybiga, afirmou, por sua vez, que Zelensky "conta com o apoio do povo ucraniano" e que "merece ser apoiado".

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, manifestou, por seu lado, a "total solidariedade" para com o Presidente ucraniano, numa conversa telefónica entre os dois líderes.

Antes das declarações de Trump, Volodymyr Zelensky tinha denunciado o acordo russo-norte-americano como uma "decisão fraca" por parte dos Estados Unidos e uma oportunidade lucrativa para a Rússia reabastecer reservas e financiar a guerra.

O Presidente ucraniano também condenou novos ataques russos que causaram 21 mortos no sábado, dos quais 20 em Zaporizhzhya, no sudeste da Ucrânia.

"A Rússia expressou o agradecimento pelo levantamento das sanções às exportações de gasóleo, lançando cinco bombas sobre edifícios residenciais em Zaporizhzhya", afirmou.

Segundo Washington e Moscovo, a Rússia deve entregar 300.000 toneladas de gasóleo a partir do mês de outubro aos Estados Unidos e ao mercado mundial, aumentando posteriormente essas entregas até 1 milhão de toneladas em dezembro.

O Kremlin afirmou no sábado que Putin tinha "acolhido com compreensão" as propostas estadunidenses"de medidas destinadas à desescalada" da guerra na Ucrânia, durante a conversa telefónica com Trump que culminou no acordo de exportação de gasóleo, sem fornecer mais detalhes.

Zelensky afirmou ter discutido por telefone com o homólogo francês, Emmanuel Macron, "as dificuldades decorrentes do alívio das sanções sobre os produtos petrolíferos" russos.

O Palácio do Eliseu não reagiu de imediato ao anúncio do acordo entre Washington e Moscovo.

Berlim, importante aliado militar de Kiev, limitou-se a "tomar nota" da decisão norte-americana e reafirmou o apoio a Kiev.

A Rússia congratulou-se hoje com o apelo do Presidente estadunidense para a substituição do chefe de Estado ucraniano, enquanto a diplomacia da Ucrânia assinalou o apoio do povo a Zelensky.