Os cientistas também informaram que o trimestre junho–agosto de 2026 foi o mais quente da história.

Sobre estes novos alertas, a porta-voz de Oceanos do Greenpeace Brasil, Bruna Canal, explica:

“Um oceano permanentemente aquecido altera profundamente seu próprio funcionamento. O excesso de calor desregula a circulação das correntes marinhas, diminui a capacidade de absorção de carbono pelo oceano, reduz a oferta de oxigênio e nutrientes e sufoca os ecossistemas. Como esse calor acumulado não desaparece, ele se torna um motor contínuo da crise climática. Na prática, o impacto chega diretamente à vida das pessoas por meio da perda da biodiversidade, da insegurança alimentar e do desencadeamento de eventos climáticos extremos, aprofundando a vulnerabilidade de quem já vive na linha de frente do desastre climático.” 

Ora a perspetiva de um oceano superaquecido é bem  preocupante com o El Niño em curso.

“Estamos a ver um efeito combinado de um super El Niño a despejar calor no mar superaquecido. A água do mar mais quente, por sua vez, evapora mais rápido e transfere calor contínuo para a atmosfera, alterando correntes marinhas e gerando danos graves aos ecossistemas aquáticos. Este cenário caótico cria um ambiente propício para mais eventos extremos climáticos globais nos próximos meses, incluindo o Brasil.

Vale lembrar que este alerta sobre o recorde de aquecimento da superfície do oceano vem uma semana após o PNUMA alertar que o mundo ultrapassou temporariamente a temperatura média global de 1.5 C. Esse combo assustador de eventos não é mera coincidência”, afirma Canal. 

O Greenpeace Brasil acentua  que uma ação conjunta e abrangente para abandonar os combustíveis fósseis, promover uma transição justa que seja rápida, equitativa e devidamente financiada nos países do Sul Global, e acabar com a destruição das florestas até 2030 deve ser o centro das políticas governamentais para que o mundo volte o mais rápido possível a marca de 1,5°C. 

“Para além do enfrentamento dos danos imediatos, a verdadeira justiça climática exige encarar a causa raiz da crise com uma transição energética justa e o fim definitivo da era dos combustíveis fósseis. Em nível nacional e no cenário internacional rumo à COP31, isso demanda interromper imediatamente a expansão de novos poços e estabelecer ‘mapas do caminho’ rigorosos para a eliminação do desmatamento e dos combustíveis fósseis, amparados por financiamento de qualidade para os países em desenvolvimento”, refere  a especialista em Política Climática, Anna Cárcamo.