Natural do Recife, Fitti tem construído uma trajectória marcada pela mistura de linguagens, cruzando música, teatro, audiovisual e performance. Cantor, compositor, actor e produtor musical, o artista tem sido apontado como um dos nomes em crescimento na nova música brasileira, com uma obra que recusa rótulos rígidos e dialoga com referências que vão de Gilberto Gil e Tom Jobim a Chico Science, Ney Matogrosso e Lhasa de Sela.
A distinção no Prêmio da Música Brasileira chega depois de uma fase particularmente importante da carreira de Fitti. Em 2024, o artista lançou o álbum “Transespacial”, trabalho que marcou uma viragem no seu percurso e lhe valeu uma indicação ao Grammy Latino de 2025, na categoria de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa. Segundo perfil publicado pelo Popline/Terra, Fitti tornou-se o primeiro cantor transmasculino indicado à premiação.
Em entrevista ao repórter Arthur Aguiar, Fitti descreveu o prémio como um momento de reconhecimento e gratidão. “É um êxtase de reconhecimento e de gratidão. Eu sou o primeiro artista transmasculino indicado ao Latin Grammy. Também fui o primeiro artista transmasculino indicado à categoria Artista Revelação do Prêmio da Música Brasileira e o primeiro vencedor. Não tem como não estar com o peito cheio de alegria e realização”, afirmou.
A cerimónia, apresentada por Débora Bloch e Alice Wegmann, distinguiu artistas, compositores, produtores e músicos em 18 categorias, reforçando a diversidade da produção musical brasileira, do clássico ao popular, do regional ao urbano. Além de Fitti, a noite teve como destaques nomes como João Gomes, Luedji Luna, Djavan, Chitãozinho & Xororó, Deize Tigrona, Hamilton de Holanda, BK’ e Maneva.
João Gomes foi um dos grandes vencedores da noite, com três prémios, incluindo Melhor Artista e Melhor Lançamento na categoria Canção Popular, além de Melhor Lançamento em Projeto Especial com “Dominguinho”, trabalho desenvolvido com Mestrinho e Jota.Pê. Luedji Luna também se destacou, vencendo nas categorias de Melhor Artista e Melhor Lançamento em Pop.
A 33.ª edição do prémio ficou ainda marcada por uma homenagem a Cazuza, um dos nomes mais emblemáticos da música brasileira. O espectáculo reuniu interpretações inéditas de clássicos do artista, com participações de nomes como Seu Jorge, Ney Matogrosso, Ludmilla, Marina Sena, Luedji Luna, Maneva, Zizi Possi, Luísa Sonza e Simone, sob direcção musical de Pretinho da Serrinha.
Depois da vitória no Prêmio da Música Brasileira, Fitti prepara-se para apresentar o projecto “Fitti Canta Ney”, marcado para 12 de Julho de 2026, às 19h00, no Blue Note São Paulo, na Avenida Paulista. O espectáculo reforça a ligação do artista a Ney Matogrosso, uma das suas referências declaradas, e surge como mais um passo na consolidação de uma carreira que alia afirmação artística, presença cénica e representatividade.
Mais do que uma vitória individual, o prémio atribuído a Fitti sinaliza uma mudança mais ampla na música brasileira. A consagração de um artista transmasculino num dos palcos mais tradicionais da cultura do Brasil mostra que a renovação estética da música também passa pela ampliação das vozes, dos corpos e das narrativas que ocupam o centro da cena.
Num país musicalmente marcado pela pluralidade, Fitti emerge como símbolo de uma geração que não pede licença para existir artisticamente. Canta, compõe, interpreta e transforma a própria experiência em linguagem. E, ao vencer como Artista Revelação, confirma que a música brasileira continua a encontrar no risco, na diversidade e na reinvenção algumas das suas maiores forças.