O momento mais emblemático está reservado para domingo, quando cerca de mil ovelhas percorrerem a Grande Rota da Transumância, desde a Cortelha do André até ao centro da aldeia, recriando uma prática secular ligada à deslocação sazonal dos rebanhos em busca de melhores condições de pastagem.
Mais do que uma representação simbólica, a iniciativa procura recuperar uma parte essencial da história económica, social e cultural das comunidades serranas.
A programação começa no sábado com um passeio pelas Quintas, acompanhado por música, demonstração do fabrico tradicional de pão e respetiva prova.
Durante a tarde, o público poderá assistir e participar em diferentes atividades relacionadas com o quotidiano dos pastores e com antigos ofícios da região, entre elas a montagem de choças, o enramar dos cajados, o fabrico de queijo e oficinas dedicadas ao tear e ao tradicional cobertor de papa.
A gastronomia assume também um papel de destaque através da iniciativa “Aldeias à Mesa com Borrego”.
Com a participação do Chef Óscar, seis aldeias serão desafiadas a apresentar diferentes propostas gastronómicas à base de borrego, que poderão depois ser degustadas pelos visitantes.
Ao cair da noite, a experiência aproxima-se ainda mais da antiga vida pastoril.
O “Hotel Mil Estrelas” convida os participantes, mediante inscrição, a passarem a noite em choças na Cortelha do André, recuperando uma das imagens mais características da permanência dos pastores junto dos rebanhos.
No domingo, todas as atenções estarão concentradas na Grande Rota da Transumância.
Cerca de mil ovelhas deverão partir da Cortelha do André em direção ao centro de Fernão Joanes, proporcionando uma das imagens mais marcantes da festa e recuperando simbolicamente os antigos movimentos dos rebanhos através da serra.
O programa integra igualmente uma Missa de Homenagem aos Pastores da Encosta da Serra da Estrela, reconhecendo o contributo de sucessivas gerações para a construção da identidade da região.
Durante a tarde, haverá ainda passeios de charrete e música tradicional portuguesa, com atuações de pauliteiros, cante alentejano e cantares ao desafio.
Para a organização, preservar a transumância significa manter viva uma parte da memória de Fernão Joanes e da própria Serra da Estrela.
“A Transumância surgiu para dar resposta a uma necessidade e acabou por se tornar uma tradição em Fernão Joanes, que hoje celebramos e partilhamos com quem nos visita”, explica José Romeiro, presidente da Direção da Associação Cultural e Recreativa de Fernão Joanes.
O responsável sublinha ainda que a festa pretende aproximar os visitantes dos “saberes, sabores, música e costumes associados à vida dos pastores”, permitindo que uma herança construída ao longo de gerações não permaneça apenas na memória.
Ao longo dos dois dias estarão igualmente disponíveis espaços de venda de produtos tradicionais, oferecendo aos visitantes a possibilidade de conhecer e adquirir produções locais.
A Festa da Transumância conta com o apoio, entre outras entidades, do Instituto Português do Desporto e Juventude, Município da Guarda, Junta de Freguesia de Fernão Joanes, Grande Rota da Transumância, INATEL e TotalEnergies Portugal.
Durante um fim de semana, Fernão Joanes não celebra apenas a passagem de um rebanho pela aldeia.
Celebra uma forma de vida, uma relação ancestral entre o homem, os animais e a montanha — e uma memória que a comunidade não quer deixar desaparecer.