O FC Porto conquistou este sábado a Supertaça Cândido de Oliveira, ao vencer o Torreense por 1-0 no Estádio Cidade de Coimbra.

O golo solitário, apontado por Victor Froholdt ainda na primeira parte, garantiu aos dragões o primeiro troféu da época 2026/27 e elevou para 25 as conquistas do clube na prova, mais do que Benfica, Sporting, Boavista e Vitória de Guimarães juntos.

A partida decorreu sob uma sombra que quase a impediu de se realizar. Nos dias anteriores, os árbitros profissionais equacionaram um boicote ao arranque da época depois de áudios em que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, classificava a maioria dos árbitros nacionais como "fracos". O impasse só foi desbloqueado de madrugada, já com o jogo praticamente à porta, e a Supertaça acabou entregue a André Narciso, da associação de Setúbal. Também o relvado do Estádio Cidade de Coimbra gerou polémica: Francesco Farioli queixou-se publicamente do seu estado na antevisão e o FC Porto chegou a protestar junto da FPF.

Em campo, o confronto opôs duas realidades distintas do futebol português. De um lado, o campeão nacional e recordista da competição; do outro, um Torreense vindo da II Liga, presente em Coimbra pela histórica conquista da Taça de Portugal frente ao Sporting e disposto a não se limitar ao papel de convidado. Logo aos dois minutos, um livre de Javi Vázquez obrigou Diogo Costa a uma defesa apertada, e o Torreense manteve essa intensidade ao longo da primeira parte.

O FC Porto foi, ainda assim, ganhando terreno e criando as ocasiões mais claras. Aos 30 minutos, Pepê desequilibrou pela direita e serviu William Gomes em posição frontal à baliza, mas o brasileiro atirou muito por cima. O falhanço não teve consequências: aos 38 minutos, Pepê voltou a arrancar pelo mesmo corredor, cortou para o pé direito e cruzou para a entrada de Froholdt, que cabeceou entre os dois centrais do Torreense e inaugurou o marcador. Já nos descontos da primeira parte, Diogo Costa evitou o empate com uma defesa vistosa a um remate de Léo Azevedo.

Farioli mexeu na equipa ao longo da segunda parte, lançando sucessivamente Alan Varela, Deniz Gül, Borja Sainz, Hwang In-beom e Martim Fernandes, numa tentativa de gerir o resultado sem abrir demasiado o jogo. Do lado do Torreense, Luís Tralhão foi renovando energias em busca do empate. Adriel Ramos voltou a distinguir-se ao defender um livre direto de André Silva e, já perto do fim, negou o segundo golo a Hwang In-beom. Na resposta, Karem Zoabi, entrado momentos antes, rematou a centímetros da baliza de Diogo Costa naquela que foi a melhor oportunidade do Torreense para evitar a derrota.

Um dos subenredos da noite foi o regresso de André Silva à titularidade do FC Porto, nove anos depois da sua última partida oficial pelo clube, em maio de 2017, antes da transferência para o AC Milan. O avançado foi o único reforço de Farioli no onze inicial e teve a primeira ocasião do jogo, aos 11 minutos, com um cabeceamento sem força.

O resultado confirma o favoritismo do FC Porto, mas não anula o mérito do Torreense, que discutiu o troféu até ao apito final e reforçou o estatuto conquistado semanas antes ao tornar-se a primeira equipa da II Liga a vencer a Taça de Portugal. As duas equipas já se tinham cruzado numa final, há setenta anos: em maio de 1956, o FC Porto bateu o Torreense por 2-0 na final da Taça de Portugal, disputada no Jamor, com um bis de Hernâni — o primeiro troféu nacional da história dos dragões. Sete décadas depois, o resultado repetiu-se em favor do FC Porto, mas o Torreense voltou a mostrar que a distância entre os dois clubes, medida em títulos e orçamento, nem sempre se traduz em campo.