A Indonésia voltou este domingo, 6 de setembro, a enfrentar a força de um dos seus vulcões mais emblemáticos.

O Anak Krakatau, localizado no estreito de Sunda, entrou em erupção e lançou uma extensa nuvem de cinzas sobre várias regiões do oeste do país, provocando fortes perturbações no transporte aéreo e obrigando as autoridades a reforçar as medidas de proteção da população.

O impacto foi particularmente sentido na aviação.

As autoridades suspenderam operações em oito aeroportos, incluindo o Aeroporto Internacional Soekarno-Hatta, que serve Jacarta e constitui a principal porta de entrada aérea da Indonésia.

Mais de 1.500 voos terão sido cancelados, afetando aproximadamente 170 mil passageiros, de acordo com os dados disponíveis este domingo.

Cinzas chegaram a grande altitude

A coluna de cinzas vulcânicas atingiu altitudes próximas dos 50 mil pés, representando um risco significativo para a aviação.

As cinzas vulcânicas podem constituir um problema grave para os motores dos aviões, reduzir a visibilidade e provocar danos em diferentes sistemas das aeronaves, razão pela qual as autoridades adotam normalmente medidas preventivas sempre que existe risco de interceção das rotas aéreas.

A nuvem espalhou-se por áreas de Sumatra, Banten e Jacarta e avançou também sobre partes do oceano Índico.

Companhias aéreas nacionais e internacionais foram obrigadas a cancelar ou alterar ligações enquanto aguardavam condições de segurança para retomar as operações.

Escolas fechadas e população aconselhada a permanecer em casa

Os efeitos da erupção não ficaram limitados ao setor dos transportes.

Escolas em algumas das regiões afetadas passaram temporariamente para ensino à distância e as autoridades distribuíram máscaras à população, alertando para os riscos associados à inalação das partículas vulcânicas.

Foram igualmente impostas restrições a determinadas atividades piscatórias nas zonas afetadas.

As autoridades recomendaram à população que limite as deslocações desnecessárias e evite a aproximação ao vulcão, mantendo uma distância de segurança de vários quilómetros da cratera.

Um dos vulcões mais conhecidos do mundo

O Anak Krakatau — que significa “Filho de Krakatoa” — nasceu no local associado à histórica erupção do Krakatoa de 1883, uma das mais violentas erupções vulcânicas de que há registo na era moderna.

Ao longo das décadas, o novo vulcão foi crescendo progressivamente e manteve uma atividade regular.

Em 2018, uma erupção e o colapso parcial do vulcão desencadearam um tsunami no estreito de Sunda que provocou centenas de mortes.

É precisamente esta memória que torna qualquer intensificação da atividade do Anak Krakatau particularmente sensível para as populações da região.

Contudo, as autoridades indonésias não identificaram, até ao momento, uma ameaça de tsunami associada à atual erupção.

Indonésia vive sobre o “Anel de Fogo”

A elevada atividade vulcânica faz parte da realidade geológica da Indonésia.

O país encontra-se no chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma enorme faixa de intensa atividade tectónica que rodeia grande parte do oceano Pacífico e concentra numerosos vulcões e zonas sísmicas.

Com milhares de ilhas e dezenas de vulcões ativos, a Indonésia possui uma das maiores concentrações de populações expostas à atividade vulcânica em todo o mundo.

E o Anak Krakatau não é, neste momento, o único foco de preocupação.

O Monte Semeru, na ilha de Java, também registou atividade eruptiva, num período de intensificação da vigilância sobre vários vulcões indonésios.

O desafio de manter um país em movimento

A atual erupção demonstra como um fenómeno localizado pode rapidamente assumir dimensão nacional e internacional.

O encerramento de aeroportos na região de Jacarta afeta não apenas deslocações internas, mas também importantes ligações aéreas entre a Indonésia e países como Singapura, Malásia, Austrália e outros mercados asiáticos.

Num dos maiores arquipélagos do mundo, onde a aviação desempenha um papel fundamental na circulação de pessoas e mercadorias, algumas horas de paralisação podem provocar uma cadeia de atrasos e cancelamentos muito para além da zona diretamente afetada pelo vulcão.

Para já, a prioridade das autoridades permanece clara: proteger a população, acompanhar a evolução da atividade vulcânica e restabelecer progressivamente as ligações aéreas quando existirem condições de segurança.

O Anak Krakatau voltou, assim, a recordar à Indonésia — e à Ásia — que, numa das regiões geologicamente mais ativas do planeta, a convivência entre desenvolvimento, mobilidade e forças da natureza continua a exigir permanente vigilância.