A votação histórica desta segunda-feira, 14.09,  é vista como um passo crucial rumo à autogovernança, após décadas de revoltas e violência na região de maioria muçulmana, onde mais de 2,3 milhões de pessoas estão aptas a votar.

Estão em disputa 80 lugares  nas eleições que definirão os membros do parlamento, o órgão legislativo da região. Essas vagas incluem 40 representantes de partidos políticos, 32 representantes distritais e oito representantes setoriais.

O ministro-chefe da região, que chefia o Poder Executivo, será eleito pelo parlamento em sua primeira sessão.

As autoridades eleitorais informaram que a meta é alcançar uma participação de pelo menos 80% do eleitorado, após a votação ter sido adiada por vários anos.

Barnaby Lo, repórter da Al Jazeera em Marawi, afirmou que "os eleitores dizem que essa [eleição] era muito aguardada e que querem apenas eleger líderes capazes de trazer uma paz duradoura".

O presidente da Comissão Eleitoral, George Garcia, informou na segunda-feira que a cidade de Cotabato passou para o controle da comissão após um tiroteio ocorrido no final do domingo, perto de uma seção eleitoral em uma escola, deixar três mortos e 15 feridos.

Em outra seção eleitoral, quatro pessoas — incluindo um policial — foram baleadas pouco antes das 7h de segunda-feira (23h de domingo no horário GMT), segundo as autoridades.

Em um incidente separado na cidade, Garcia informou que a explosão de uma bomba improvisada feriu a pessoa que a transportava e que houve um disparo de arma de fogo, mas ninguém ficou ferido.

A cidade de Maluso, em Basilan, também passou para o controle da comissão após a descoberta de cédulas já preenchidas em 36 das 68 seções eleitorais. Garcia disse ter ordenado a reimpressão imediata das cédulas para as seções afetadas, onde a votação sofreria atraso.

Garcia prometeu responsabilizar aqueles que tentarem incitar a violência ou comprar votos.

"Estas eleições baseiam-se em gerações de luta do povo Bangsamoro por sua terra natal, identidade e autodeterminação, diante da expropriação, marginalização, conflito e sacrifício", afirmou ele em um comunicado anterior.

“As eleições nesta parte das Filipinas têm sido marcadas pela violência desde que me entendo por gente. É uma região onde a presença de armas é generalizada e os conflitos entre clãs são bastante comuns”, disse Lo, da Al Jazeera.

“E assim, apesar de uma proibição de porte de armas em vigor há semanas e de uma presença policial e militar muito forte, registramos diversos incidentes violentos.”

O fechamento das seções eleitorais estava previsto para as 19h (horário local, ou 11h GMT), mas Garcia informou que algumas permaneceriam abertas até as 21h devido a atrasos na abertura.

A eleição marca o fim do período de transição sob a Autoridade de Transição de Bangsamoro (BTA), um governo regional provisório nomeado em 2019

Criada no âmbito de um acordo de paz de 2014, a BARMM busca uma autonomia mais ampla, com ex-rebeldes da Frente Islâmica de Libertação Moro concordando em se desmobilizar e abrindo mão do objetivo de criar um Estado muçulmano separado no sul do país, de maioria católica.

Desde a década de 1970, cerca de 150 mil pessoas morreram no conflito. A região já foi um reduto de grupos linha-dura, mas tem registrado uma redução na violência.