Eis porque se sem apoios sociais, viveriamos com uma taxa de pobreza de  40,3%, refere o documento, que aponta ainda para a existência de 214 mil beneficiários do Rendimento Social de Inserção em 2025, dos quais quase um terço são menores de idade.

O limiar da pobreza na Grande Lisboa fixa-se em rendimentos inferiores a 746 euros mensais, um valor superior à média nacional devido ao custo de vida na região

A taxa de risco de pobreza ou exclusão social na região da Grande Lisboa fixa-se em 16,0%, de acordo com os dados estatísticos mais recentes.

Ora é neste ambiente economico social que o sr Moedas exige imagine-se nao uma melhor distribuição da riqueza mas sim o cancelamento imediato do sistema Volta em Lisboa (!).

Este  sistema, que permite aos consumidores recuperarem 10 cêntimos por embalagem, tem sido criticado por provocar reviravoltas em contentores e acumulação de resíduos.

De novo o essencial é esconder a pobreza  e para responder à proliferação de bairros de lata nos centros urbanos, o regime salazarento  criou programas como as Casas Económicas (1933) e, mais tarde, o programa «Casas para Famílias Pobres»(1945) construídos deliberadamente nas periferias das cidades.

Tal com os  objetivos,

  • Limpar o visual do centro das cidades, higienizando as áreas nobres.
  • Deslocar as classes operárias e desfavorecidas para zonas suburbanas afastadas dos centros de decisão e poder.

Controlo Antidemográfico e Ideologia Rural

O regime salazarento tentou travar o chamado êxodo rural com  controlos administrativos e da falta de incentivos ao desenvolvimento industrial massivo nas cidades, tentando fixar as populações nas províncias agrícolas para evitar a "corrupção moral" que o regime associava à vida urbana.

Apesar destas políticas de contenção e afastamento, a miséria e a falta de condições de vida nas zonas rurais forçaram milhões de portugueses a continuar a migrar.

Como as cidades não tinham capacidade (nem vontade política) para os integrar condignamente, formaram-se gigantescas cinturas de pobreza e bairros de lata em redor de Lisboa e do Porto.

Na década de 1960 e 1970, mais de 100 mil famílias na região de Lisboa viviam ainda sem habitação condigna, um reflexo direto do falhanço em resolver a pobreza através do mero isolamento geográfico.

Ora bem o sr Moedas presidente da Câmara de Lisboa, do PSD claro, pediu ontem  terça-feira, 15.09,  ao Governo, PSD/CDS-PP, para "cancelar de imediato" o sistema de depósito de embalagens Volta, com o reembolso de 10 cêntimos.

O argumento é inacreditável gerou -"um drama social sem precedentes".

"Este verão trouxe também um novo desafio: o sistema Volta, a política de reciclagem e de reutilização é necessária, e uma cidade como a nossa tem de ter a preocupação de cada vez reciclar mais, mas uma política ambiental não deve ser nem um imposto, nem um drama social", disse o sr Trocos i.e. Moedas, na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa.

Para ele  o sistema Volta tem sido "um imposto para quem paga e um drama social sem precedentes na cidade".

"Mais uma vez, eu peço ao Governo para fazer exatamente como foi feito em França, cancelar de imediato este sistema. É uma boa intenção. É um mau resultado. Não queremos", expressou Carlos Moedas.

Ora desde 10 de abril, que o sistema Volta permite aos consumidores recuperarem o valor de depósito de 10 cêntimos por embalagem pago no ato da compra de garrafas e latas de uso único, de plástico, metal e alumínio e inferiores a três litros, mediante a sua devolução nos pontos existentes para o efeito em Portugal continental, Açores e Madeira.

Diz o sr Moedas e o seu clã que o  sistema de depósito de embalagens tem provocado impactos negativos na higiene urbana em Lisboa, bem como em outros municípios.

Dizem que houve  contentores remexidos ou mesmo despejados na via pública, com o objetivo de obter o respetivo reembolso num absurdo que, a) esquece que todos sabem que latas e garrafas em mau estado nao sao aceites e b) nas vezes em que tal sucedeu resulta precisamente do grau de crescente Pobreza que se vive em Portugal!

A verdade é que segundo a eleita municipal Sofia Lisboa os dados recentes colocam Lisboa como o município com maior número de reclamações sobre lixo urbano, afirmando que "contentores a transbordar, acumulação de resíduos, falta de limpeza, maus odores e proliferação de ratos e baratas são problemas de salubridade pública e de qualidade de vida".

A nada a ver com laras e garrafas!