PPDM APRESENTA EM BRUXELAS INVESTIGAÇÃO SOBRE O ESPAÇO
CÍVICO DAS ORGANIZAÇÕES DE DIREITOS DAS MULHERES EM
PORTUGAL
73% das pessoas participantes referem ter sido alvo de ataques, ameaças,
campanhas difamatórias ou outras formas de assédio
Bruxelas, 29 de setembro de 2026 — A Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres (PpDM)
apresentou hoje, no Parlamento Europeu, os principais resultados da investigação nacional realizada no
âmbito do projeto MOTERIS – Monitoring and Tackling Anti-Women’s Rights Attacks in Europe, que analisa
o contexto em que trabalham as organizações de direitos das mulheres e as defensoras dos direitos humanos
das mulheres em Portugal.
Realizada por Ana Sofia Fernandes, Alexandra Silva e Clara Pelote, a investigação procedeu ao mapeamento
de 88 entidades, incluindo 64 organizações de direitos das mulheres e centros de investigação e 24
especialistas. Foram recolhidas 30 respostas a um questionário e realizadas 12 entrevistas.
Os resultados apontam para um espaço cívico estruturalmente frágil, marcado pela instabilidade do
financiamento, pela dependência de projetos de curta duração, por uma elevada carga administrativa e por
dificuldades na participação efetiva das organizações nos processos de decisão política.
A investigação identifica também um contexto público cada vez mais contestado, com maior visibilidade de
discursos sexistas, misóginos e contrários aos direitos das mulheres, particularmente no espaço digital.
Cerca de 73% das pessoas participantes referem que elas próprias ou as suas organizações foram alvo de
ataques online ou presenciais, campanhas difamatórias, ameaças ou outras formas de assédio.
“Defender os direitos das mulheres exige também defender quem os defende. As organizações de
mulheres precisam de financiamento sustentável, participação efetiva e um espaço cívico onde possam
trabalhar sem medo de assédio, ameaças ou campanhas de descredibilização.” Paula Barros, Presidente da
Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres
A investigação evidencia, simultaneamente, um desfasamento entre os avanços legislativos alcançados em
Portugal e a sua implementação efetiva, salientando a necessidade de reforçar os mecanismos de
acompanhamento, responsabilização e participação das organizações de direitos das mulheres.
Um espaço cívico forte precisa de organizações de mulheres fortes
No contexto das discussões sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia, a PpDM
defende que o financiamento europeu deve reconhecer o papel essencial das organizações de direitos das
mulheres na defesa dos direitos humanos, da igualdade entre mulheres e homens e da democracia,
assegurando condições de financiamento mais estáveis e sustentáveis.
A investigação portuguesa integra um estudo realizado em 15 Estados-Membros da União Europeia,
contribuindo para uma análise comparativa dos desafios enfrentados pelas organizações de direitos das
mulheres e pelas defensoras dos direitos humanos das mulheres no espaço cívico europeu.A delegação portuguesa presente hoje no Parlamento Europeu é constituída por Ana Sofia Fernandes,
Secretária-Geral da PpDM; Cristina Mesquita, Presidente da VIDAs – Associação Portuguesa de Menopausa;
e Raquel Pacheco, Presidente da Associação P. de Potência, representando as organizações portuguesas
envolvidas na iniciativa.
MOTERIS – Monitoring and Tackling Anti-Women’s Rights Attacks in Europe
Investigação nacional sobre o espaço cívico das organizações de direitos das mulheres em Portugal.
Consulte o Estudo Nacional e a Folha Informativa com resultados do Estudo Europeu