Eles ganham se a onda de calor for maior, ganham se o desastre for mais grave. Enquanto nós, pessoas comuns, enfrentamos calor extremo, incêndios e cheias, há quem esteja a pôr dinheiro em cima disso e a transformar a destruição de tudo e todos que amamos em probabilidades.

Entretanto, 35 mil mortes não são uma questão de sorte ou azar

As quatro ondas de calor consecutivas deste verão já provocaram pelo menos 35 mil mortes em excesso na Europa. O número é provisório: os dados cobrem apenas cerca de metade do continente e ainda não incluem todos os efeitos do final do verão.
Estamos a falar de pessoas que morreram num mundo que está a aquecer, enquanto governos continuam a proteger os interesses e os lucros que nos trouxeram até aqui.

1,5 ºC já não chegam

A ONU alerta que ultrapassar os 1,5 ºC de aquecimento é agora inevitável. Mesmo no cenário mais optimista, o planeta deverá atingir pelo menos 1,8 ºC – e os actuais compromissos dos governos apontam para mais de 2 ºC.

Estamos perante as consequências de décadas de inação e de decisões erradas que continuam a ser tomadas hoje. E cada fracção de grau conta: mais ondas de calor, incêndios, degelo, subida do nível do mar, perda de ecossistemas e impactos cada vez maiores na produção de alimentos e na saúde. 

Segundo o relatório, ainda é possível regressar aos 1,5 ºC neste século. Para isso, é preciso cortar imediatamente e de forma drástica as emissões.

 

Não vamos assistir tudo isso de braços cruzados

"For fuck’s sake, Just Stop Oil’"
O Just Stop Oil está de volta. Mais de 60 apoiantes bloquearam a Parliament Square, em Londres, durante a primeira sessão de perguntas ao primeiro-ministro de Andy Burnham

 

A ação aconteceu no mesmo dia em que a ONU alertou que o mundo caminha para pelo menos 2 ºC de aquecimento neste século. Os manifestantes exigiam que o governo britânico não aprovasse novos projectos de petróleo e gás no Mar do Norte e que assinasse um tratado internacional para eliminar progressivamente os combustíveis fósseis. 
 

“Data center? No, thanks!”
Na Áustria, os protestos foram contra a construção do novo centro de dados da Google, um projeto que ameaça consumir enormes quantidades de recursos essenciais às comunidades locais.


 

Precisamos de cada vez mais pessoas a resistir

Este mês, o Climáximo começa mais um ano de luta. Queremos construir um movimento com força para responder à crise onde ela acontece e enfrentar quem a está a provocar.

Conhece os nossos próximos passos e junta-te a nós.

 

📕 Em Lisboa, vamos ter um ciclo de leituras de Quebrar em Caso de Emergência Climática, nos dias 16, 24 e 30 de Setembro e 8 de Outubro. Vamos falar sobre a guerra que governos e empresas estão a travar contra as pessoas e o planeta e sobre como a parar.