À RTP confessou estar "cansado", "cheio de fome" mas aliviado dizendo ainda “Até que enfim que acabou tudo", e denunciou as condições desumanas às mãos do trumpista ICE, durante o mês e meio em que esteve detido.
"De quatro em quatro dias podemos tomar um duche. A comida é péssima, eu não dava aquela comida ao meu cão, se tivesse um. Para dormir era num colchão de ioga, nem sequer uma almofada, nada. As luzes sempre ligadas", contou.
Enfim condições piores que as da Pide!
Hugo Sousa foi ainda criança para os EUA, com os pais e lá viveu durante 35 anos, com visto de residência permanente, o "green card” e com a pandemia foi para os Açores e por lá ficou mas há cerca de um ano, o visto expirou e quando Hugo Sousa quis regressar aos EUA para ver o filho, de 12 anos, as autoridades estadunidenses não deixaram.
Entao este açoriano voou pelo Canadá, foi de Vancouver até Seattle, mas mal pisou o território americano foi detido. Durante "quatro dias" nesta trumpista democracia não o deixaram contactar ninguém.
Sem respostas, durante semanas decidiu fazer greve de fome. "Eu disse: tenho de chamar a atenção de alguém. Então tive quase quatro dias sem comer", revelou, lembrando que "são literalmente centenas e centenas de pessoas de todos os países a serem tratadas desta forma".
Foi a companheira que para ele tratou de tudo contactando embaixadas, advogados, mas só depois de enviar o caso à comunicação social é que sentiu que a ajuda começou, finalmente, a chegar, incluindo do consulado português.
"Depois da história ser divulgada, foram eles que contactaram o consulado em São Francisco e ligaram-me. Tomaram medidas, disseram-me que estavam a trabalhar nisso", contou Joyce Hernandez.
Em entrevista à RTP, Hugo quis deixar um agradecimento: "Quero agradecer a toda a gente. A todos os que se envolveram na situação. Sinto que quando a Joyce ligou [para a comunicação social] fez toda a diferença".
Todos os dias são detidos, em média, 2 mil estrangeiros pelo ICE. Hugo viveu nos EUA 35 anos, tem pais, irmãos e um filho estadunidense mas nem isso impediu o serviço de imigração da administração Trump de o deter.
No final de agosto, ao Notícias ao Minuto, “O Ministério dos Negócios Estrangeiros tem acompanhado de perto o caso do cidadão detido nos Estados Unidos. O Consulado Geral em São Francisco mantém comunicação recorrente com as autoridades norte-americanas competentes, que nos informaram que o processo está em curso, sem, no entanto, ser possível, indicar prazos concretos".
Vale perguntar a todos os grupos parlamentares se nao deveriam apresentar um protesto junto à embaixada dos EUA !