Ele insiste que "são duas cidades espanholas" que fazem parte da "integridade territorial" e da soberania espanhola.

"Rejeitamos e rejeitaremos categoricamente qualquer abordagem diferente relativamente a Ceuta e Melilla", frisou o Ministério dos Negócios Estrangeiros a Marrocos, segundo fontes do ministério liderado por José Manuel Albares, via a  Europa Press.

O  governo espanhol respondeu às declarações do ministro da Justiça marroquino, Abdellatif Ouahbi, que reivindicou esta sexta-feira, 21.08,  o "direito histórico" de Marrocos sobre as cidades autónomas.

Lembremos que Ceuta deixou de ser portuguesa em 1640, quando Portugal se revoltou contra a Espanha.

Ao contrário do resto do país, Ceuta não aceitou o novo rei português (D. João IV) e decidiu ficar com a Espanha.

Esta mudança ficou oficial em 1668 pelo Tratado de Lisboa.

Eis o percurso histórico,

1415: Portugal conquista Ceuta no norte de África com o rei D. João I.

1580: Ceuta passa para a coroa de Espanha durante a união dos dois países.

1640: Portugal recupera a independência, mas Ceuta prefere ficar  do lado de Espanha.

1668: O Tratado de Lisboa assina a paz e aceita Ceuta como parte de Espanha.

Na verdade Ceuta marca início da Expansão -  a 21 de agosto de 1415, tropas portuguesas lideradas pelo rei D. João I tomaram a cidade islâmica de Ceuta, situada estrategicamente na costa norte-africana do Estreito de Gibraltar.

Esta ocupação abriu portas a uma série de feitorias e praças fortificadas portuguesas na região marroquina, como Alcácer-Ceguer, Safim e Mazagão.

Em 1640, com a Restauração da Independência de Portugal e a aclamação de D. João IV, Ceuta foi a única localidade do antigo império português que decidiu não reconhecer o novo monarca optando por manter a lealdade à Coroa de Castela (Espanha), à qual já estava ligada dinasticamente durante a União Ibérica.

Quando o Marrocos se tornou independente da França e da Espanha, Ceuta (junto com Melilha) permaneceu sob administração espanhola e i governo de Rabat tem defendido estes territórios como enclaves coloniais ou "presídios" e reclama a sua soberania, algo que Madri rejeita categoricamente, sublinhando o estatuto de cidade autónoma espanhola.

Hoje, Ceuta constitui uma das únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e o continente africano, sendo um ponto sensível de trânsito e migração

A tomada de Ceuta por Portugal em 1415 aconteceu devido a motivos económicos, estratégicos e religiosos.

  • Comércio rico: Ceuta era um ponto final de rotas comerciais de caravanas que traziam ouro do interior de África, especiarias e marfim.
  • Interesse da burguesia: Os comerciantes e a coroa portuguesa queriam o controlo direto destas riquez
  • Abastecimento de trigo: Portugal sofria com a escassez de cereais e esperava obter alimentos abundantes na região.
  • Controlo do Estreito de Gibraltar: A cidade ficava numa passagem marítima vital entre o Mediterrâneo e o Atlântico.
  • Fim da pirataria: A posição servia para travar ataques de corsários muçulmanos que prejudicavam a costa portuguesa e o Algarve.
  • Cruzada contra o Islão: Mantinha-se o espírito de cruzada e o ideal de expandir a fé católica.
  • Expansão militar: Funcionava como base para a projeção de poder no norte de África.
  • Prestígio da dinastia de Avis: O rei D. João I e os seus filhos buscavam legitimação e honra militar perante as cortes europeias.

Antes da conquista de Ceuta pelos portugueses em 1415, o território de Marrocos era governado pela dinastia dos Merínidas (ou Império Merínida), um Estado berbere.

  • Os Merínidas controlavam a região do Magrebe Ocidental (atual Marrocos) desde o século XIII, após substituírem o califado anterior
  • A capital deste reino situava-se na cidade de Fez.
  • No momento da tomada de Ceuta por D. João I, o poder merínida atravessava um período de instabilidade política e crises internas, o que facilitou a investida portuguesa na praça norte-africana

A independência face à França foi formalmente reconhecida a 2 de março de 1956, após anos de forte resistência nacionalista e do regresso do exilado Sultão Mohammed V.

Poucos meses depois, em abril de 1956, a Espanha cedeu a maior parte dos territórios que controlava no norte e no sul do país, pondo fim ao domínio colonial ibérico na região (mantendo-se apenas algumas praças de soberania, como Ceuta e Melilha).