A seleção feminina de Cabo Verde encerrou, na quinta-feira, a sua primeira participação na fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN) de futebol feminino com um empate 1-1 frente aos Camarões, no Estádio Larbi Zaouli, em Casablanca.

O resultado, obtido na terceira e última jornada do Grupo D, vale à equipa nacional o primeiro ponto da sua história na prova.

As camaronesas, que entraram em campo já apuradas para os quartos de final, adiantaram-se no marcador aos 28 minutos, por intermédio de Mendoua. Cabo Verde respondeu na segunda parte: aos 50 minutos, a avançada Vá Moreira igualou o resultado com um remate cruzado, na sequência de um lance de assinalável qualidade técnica, sem hipótese de defesa para a guarda-redes camaronesa. A equipa nacional segurou a vantagem até ao apito final.

Um grupo decidido nos detalhes

Com este resultado, o Grupo D ficou assim definido: os Camarões terminaram na liderança, com sete pontos, seguidos do Gana, com quatro, que garantiu o apuramento para os quartos de final graças a uma melhor diferença de golos face ao Mali, também com quatro pontos. Cabo Verde fechou a fase de grupos sem qualificação, mas com o mérito de ter somado o único ponto da sua curta história na competição, numa estreia em que mediu forças com selecções de maior tradição no futebol feminino africano.

Um ponto que ganha sentido no contexto mais alargado

O momento surge poucas semanas depois de a seleção masculina de Cabo Verde ter protagonizado uma das histórias mais discutidas do Mundial2026, ao eliminar-se apenas nos dezasseis avos de final, frente à Argentina, depois de uma fase de grupos em que surpreendeu Espanha e Uruguai. Essa caminhada não nasceu do acaso: resultou de mais de uma década de investimento estruturado da Federação Cabo-verdiana de Futebol, que remonta à qualificação inédita para o CAN de 2013 e se intensificou a partir da viragem para os anos 2020, com aposta sistemática na captação de jogadores da diáspora e no reforço das infraestruturas desportivas do país.

O futebol feminino cabo-verdiano parte de um patamar distinto. A estreia numa fase final do CAN, ainda que sem apuramento para a fase seguinte, marca um ponto de partida equivalente ao que a seleção masculina viveu há mais de uma década, quando cada presença numa grande competição era, por si só, notícia. Fica em aberto, para a Federação e para os responsáveis pela política desportiva nacional, a questão de saber se o investimento dedicado ao futebol feminino vai acompanhar, na década que se segue, o ritmo que transformou os "Tubarões Azuis" numa referência do futebol africano.

O que fica desta participação

Para uma seleção que fazia a sua primeira aparição na fase final da principal competição continental feminina, somar um ponto frente a uma equipa já apurada para os quartos de final é um resultado que, no imediato, não altera o desfecho da prova, mas que passa a integrar o historial da modalidade em Cabo Verde como referência de partida para os próximos ciclos de qualificação.