O salario mínimo, o Luxemburgo e a UE

A polémica à volta  do aumento dos salários mínimos no Luxemburgo que opôs sindicatos a Governo e patronato já foi resolvida por um acordo na respetiva concertação social.  

No entanto para complicar e agora a Comissao que pede contas ao conservador liberal Governo de Luc Frieden.

A Comissão Europeia (CE) instaurou  um processo de infração ao Luxemburgo atendendo ao atraso na comunicação da transposição da diretiva sobre os salários mínimos adequados (Diretiva UE 2022/2041) para a legislação nacional.

O anúncio foi feito no dia 8 de julho no comunicado da CE sobre as principais decisões quanto aos procedimentos de infração a instaurar aos estados-membros, por falhas em julho.

Diz a CE que no âmbito desse processo por infração enviou “carta de notificação formal” ao país pelo facto do Governo não ter ainda comunicado as medidas da transposição da diretiva para o “respetivo direito nacional”.

O mesmo processo foi instaurado igualmente ao Chipre.

A diretiva europeia recomenda aos estados-membros que o salário mínimo de cada país seja equivalente a 60% do salário mediano ou 50% do salário médio, ambos em termos brutos.

“Salários mínimos adequados reforçam a justiça social e promovem a produtividade e a competitividade”, acentua  a Comissão Europeia com base  no processo de instauração ao Luxemburgo.  

E adianta: “A diretiva europeia incentiva a negociação coletiva para a definição dos salários e melhora o acesso efetivo dos trabalhadores aos direitos de proteção proporcionados pelos salários mínimos”.

O Luxemburgo, tal como o Chipre, já deveriam ter comunicado a transposição da diretiva em novembro de 2024, mas até agora ainda não o fizeram.

Recorde-se que o Luxemburgo adiou as negociações sobre o aumento estrutural do salário mínimo no país aproveitando uma ação intentada da Dinamarca no Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), em 2023, que pedia a anulação desta diretiva europeia relativa aos salários mínimos adequados.

A Suécia apoiou esta ação, com os dois países a defenderem que a União Europeia não devia recomendar tal diretiva, pois esta seria uma matéria de cada país.

O Luxemburgo esperou então pela decisão do TJUE, que chegou em novembro de 2025, em que rejeitou o pedido de anulação da Dinamarca.

Começou então a polémica no Luxemburgo sobre este aumento do salário mínimo, com os sindicatos a recusarem o aumento proposto pelo Governo, que só terminou com um acordo nas reuniões da sua concertação , em junho passado.

Ficou então decidido que os trabalhadores que ganham o salário mínimo vão receber um aumento de 200 euros no total, mas repartido por duas vezes, em forma de alívio fiscal, em janeiro de 2027 e, e depois em julho.

Luxemburgo e o Chipre têm agora dois meses para “responder e comunicar as respetivas medidas de transposição à Comissão Europeia”, informa a notificação.

Na ausência de uma resposta satisfatória, a Comissão poderá decidir “emitir pareceres fundamentados”, realça a CE.

Quanto a Portugal ainda não cumpriu a transposição integral da Diretiva (UE) 2022/2041 (relativa a salários mínimos adequados na União Europeia).

O prazo estipulado pela União Europeia para que os Estados-Membros adotassem as medidas necessárias terminou a 15 de novembro de 2024.

Aqui está o ponto de situação do processo legislativo em Portugal:

  • O processo interrompido: O Governo português chegou a apresentar a Proposta de Lei n.º 43/XVI/1 para alterar o Código do Trabalho e a Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas. Esta proposta foi aprovada na generalidade no Parlamento a 29 de janeiro de 2025. Contudo, a discussão e aprovação final foram interrompidas devido à dissolução do Parlamento.
  • Estado de incumprimento: Dado que a transposição não foi concluída, Portugal encontra-se em atraso face ao prazo definido por Bruxelas.

A diretiva em causa tem como objetivo garantir que os salários mínimos nacionais sejam fixados e atualizados de forma a garantir condições de vida e trabalho dignas, promovendo a negociação coletiva e alargando a cobertura da proteção salarial.