O baixo nível das águas do Danúbio permitiu descobrir uma pedra de altar romano dedicada a Júpiter nas proximidades de Dunaújváros, na Hungria.

O achado ocorreu a 31 de julho, durante uma investigação arqueológica realizada junto à ilha de Szalki. Participaram nos trabalhos funcionários do Museu Intercisa e o arqueólogo subaquático Tóth J. Attila.

A equipa procurava vestígios do desaparecido mosteiro medieval de Pentele, cuja localização é apontada para aquela zona. Não foram encontrados materiais relacionados com o mosteiro, mas surgiu no leito do rio uma pedra de altar cuidadosamente trabalhada e dedicada a Júpiter, a principal divindade da religião romana.

A descoberta foi divulgada pelo Museu Intercisa e noticiada, a 11 de agosto, pela National Geographic Hungria.

As informações publicadas até agora não apresentam uma datação precisa da peça nem a leitura integral da inscrição. O seu significado histórico e arqueológico continuará, por isso, dependente do trabalho de limpeza, documentação e análise realizado pelos especialistas.

Júpiter, designado em latim por Iuppiter ou Juppiter, era o deus supremo da religião romana, associado ao céu, ao trovão e à proteção do Estado. Os seus símbolos mais reconhecidos eram o raio, a águia e o cetro. Embora tenha sido identificado pelos romanos com o Zeus grego, o seu culto desempenhava funções próprias na vida religiosa e política de Roma, estando ligado à autoridade, aos juramentos e à ordem pública. O British Museum confirma a associação de Júpiter ao raio, à águia e ao cetro.

Dunaújváros ocupa parte do território da antiga Intercisa, um povoado romano desenvolvido em redor de uma fortificação militar na fronteira da província da Panónia. A zona integrava o sistema defensivo do Império Romano ao longo do Danúbio, conhecido como Limes.

A pedra dedicada a Júpiter não foi o único vestígio encontrado. Nos dias seguintes, os arqueólogos localizaram fragmentos de placas romanas em calcário e outro fragmento de altar com uma inscrição muito desgastada, aparentemente dedicado a Deus Sol, o deus solar. A função original de algumas destas peças permanece em estudo.

Os trabalhos revelaram também um possível engenho explosivo da Segunda Guerra Mundial, obrigando à intervenção de especialistas em desativação de explosivos. O Museu Intercisa alertou a população para não tocar nem retirar objetos encontrados nas zonas anteriormente cobertas pelas águas, tanto pelo risco de explosivos como pela necessidade de preservar o contexto arqueológico.

O recuo do Danúbio abriu temporariamente uma janela para o passado romano da região. Mas aquilo que o rio revelou ainda terá de ser estudado antes de se conhecer a história completa destas pedras.