Sim, Angola tinha a maior rede de estradas de África, e o escritor angolano Pepetela descreve, em várias páginas das suas obras, as enormes dificuldades que essas estradas representavam para os guerrilheiros.
Aliás, muitas dessas vias foram construídas também com esse propósito, embora tivessem igualmente como objetivo dinamizar a economia angolana.
O sovietismo encarregou-se de destruir grande parte dessa rede rodoviária...
Enfim, o «português» J. M. Tavares parece desconhecer a diversidade de experiências e circunstâncias que caracterizam a emigração portuguesa. E, ao que tudo indica, o senhor Benjamim Pereira também.
É por isso que considero positiva a decisão do PCP, do Livre e do PAN de requererem a audição parlamentar do presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), na sequência de declarações consideradas inaceitáveis e infelizes.
Faço aqui um parêntese pessoal: eu próprio vivi nove meses em Angola, como jornalista, e a minha filha também já trabalhou no estrangeiro, nomeadamente na Ásia e na Irlanda. Conhecemos, portanto, por experiência própria e familiar, diferentes realidades da emigração.
Compreende-se, assim, a posição do Bloco de Esquerda (BE) ao propor a demissão de Benjamim Pereira.
A líder parlamentar do PCP, Paula Santos, considerou que as declarações de Benjamim Pereira "foram inaceitáveis e revelam um profundo desprezo pela situação dos jovens", demonstrando também "insensibilidade relativamente àquilo que são as consequências das políticas que estão a ser seguidas pelo Governo".
Por sua vez, a líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, classificou as declarações como "absolutamente inaceitáveis" e anunciou que o partido também solicitará a audição do presidente do IHRU no Parlamento.
A porta-voz e deputada única do PAN, Inês de Sousa Real, considerou as palavras do presidente do IHRU "manifestamente infelizes", manifestando solidariedade para com os "jovens que em Portugal não conseguem sair de casa do país".
Também o Bloco de Esquerda, através do deputado Fabian Figueiredo, insistiu no pedido de demissão do presidente do IHRU, acusando-o de não estar "nem tecnicamente nem politicamente apto para o cargo que ocupa".
Mas o que está, afinal, por detrás desta tendência para a emigração?
Basta olhar para a diferença entre os valores médios anuais apresentados:
Média da União Europeia (UE): 39 800 €
Média de Portugal: 24 818 €
Uma disparidade que merece reflexão quando se discutem as condições de vida, as oportunidades profissionais e as razões que levam tantos portugueses a procurar um futuro fora do país.