Até 6 de agosto de 2026, esse número já havia sido ultrapassado, com 125.759 cortes — soma que a própria Layoffs.fyi atualizou dias depois para 126.305, puxada por novos despedimentos em Salesforce, LinkedIn, Etsy, Zillow e Rapid7.
Outro analista, o TrueUp, chega a um total bem mais alto para o mesmo período: 152.808 vagas eliminadas em 397 eventos de corte.
Esta diferença entre as plataformas resulta principalmente do tipo de empresas monitoradas — o TrueUp inclui bancos, retalho digital e empresas de serviços com forte componente tecnológico, além das big techs propriamente ditas.
A Oracle protagonizou o maior corte individual do ano, com cerca de 30 mil postos eliminados, ao mesmo tempo que anunciou planos de investir US$ 90 biliões em infraestrutura de inteligência artificial no próximo ano fiscal — decisão que também rebaixou sua nota de crédito, segundo o IBTimes UK.
Meta, Amazon, Dell e Microsoft, esta com cerca de 4.800 despedimentos, também figuram entre os grandes nomes que reduziram equipes neste ano, de acordo com o Notebookcheck.
O mesmo repete-se em empresas menores: a Block, de Jack Dorsey, cortou 4 mil postos alegando a crescente capacidade das ferramentas de IA de assumir funções antes exercidas por humanos, segundo apurou o Tecflow. eBay e Pinterest seguiram linha semelhante, automatizando atendimento e anúncios.
Análises da TradingPlatforms e da consultoria Challenger, Gray & Christmas apontam a inteligência artificial como justificativa central em mais de 60% dos anúncios de corte no setor.
As big techs demitiram quase 100 mil funcionários neste ano enquanto registravam o trimestre mais lucrativo de suas histórias recentes — um professor da FGV observou que o mercado financeiro premeia o corte de pessoal e pune o gasto elevado em infraestrutura de IA, o que ajuda a explicar por que empresas lucrativas continuam a demitir.
Esse contraste — lucro recorde ao lado de despedimentos recorde — desmonta a explicação puramente técnica oferecida pelas empresas.
A inteligência artificial funciona, em boa parte dos casos, como justificativa disponível para decisões que também respondem à pressão de investidores por margens maiores, não apenas à automação em si.