E na verdade o item apareceu num endereço que não coincidia com o informado anteriormente pela defesa do ex-presidente.
A espingarda foi localizada na casa de um morador de Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul, que procurou a corporação por conta própria para entregá-la.
Segundo a CNN Brasil, replicada pelo Correio Braziliense, esse homem seria dono de uma loja de armamentos na região.
Como não havia como regularizar o transporte por conta própria, agentes federais se deslocaram até o local para formalizar o recolhimento.
A apreensão em solo gaúcho aconteceu poucas horas depois de a PF cumprir, na manhã do mesmo dia, um mandado de busca na residência de Jair Bolsonaro, em Brasília, onde ele cumpre prisão domiciliar humanitária.
A diligência, que durou cerca de uma hora, não encontrou armas, munições ou qualquer item pendente de entrega — segundo a defesa do ex-presidente.
O rebentar de toda a sequência foi a apreensão de uma pistola registrada em nome de Jair Bolsonaro durante uma busca policial no Distrito Federal, junto de um segurança do ex-presidente.
Diante disso, Alexandre de Moraes manteve, na sexta-feira anterior (03/jul), a prisão domiciliar de Bolsonaro após o fim do prazo inicial de 90 dias da medida, revogou o Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) vinculado a ele e determinou a apreensão imediata de todo o arsenal registrado em seu nome.
A defesa alegou, na ocasião, que das dez armas listadas por Moraes, duas já haviam sido entregues à Polícia Federal em 2023, por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), enquanto outras oito estariam sob custódia do Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília.
Ocorre que a corporação militar informou possuir apenas seis dos itens.
Questionados sobre as duas armas faltantes, os advogados afirmaram que uma delas era justamente a pistola apreendida na busca do Distrito Federal; a outra seria a espingarda da fabricante Maestro Arms, supostamente guardada na importadora Maragato BR Importações de Artigos Bélicos, em Caxias do Sul.
O juiz não aceitou essa versão. Na decisão que autorizou a busca na casa de Bolsonaro, Alexandre de Moraes registrou que a explicação apresentada “diverge dos dados constantes dos registros existentes”, apontando ainda a falta de documentação que comprovasse quem era o responsável pela guarda da arma e a regularidade desse depósito.
No fim, a espingarda apareceu em Cachoeirinha — cidade diferente daquela indicada pela defesa ao STF.
O parlamentar e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou a operação como uma “cortina de fumaça”, em transmissão ao vivo nas redes sociais, e sustentou que a defesa já havia esclarecido a localização de todas as armas do pai.
A sequência de divergências entre o que a defesa informou ao STF e o que de facto foi encontrado — armas contadas a menos pelo Exército, endereços que não batiam, documentação insuficiente — é o tipo de detalhe técnico que costuma pesar mais nas decisões judiciais do que qualquer disputa de narrativa nas redes sociais.