Já são conhecidos os nomeados aos Prémios de Banda Desenhada da Amadora 2026, uma das principais distinções do setor em Portugal.

Na 37.ª edição do Amadora BD, 24 obras concorrem em cinco categorias, abrangendo criação portuguesa, edição nacional, obras estrangeiras publicadas em Portugal e produção independente. Os vencedores serão anunciados no domingo, 18 de outubro, às 17h00, numa cerimónia no Núcleo Central do festival, instalado no Parque da Liberdade, na Amadora.

A edição deste ano fica igualmente marcada por um reforço significativo dos prémios.

O valor atribuído à Melhor Obra de Banda Desenhada de Autor Português duplica de 5.000 para 10.000 euros, enquanto o Prémio Revelação passa, pela primeira vez, a incluir uma recompensa de 3.000 euros.

A Melhor Edição Portuguesa de Banda Desenhada terá ainda uma componente de apoio direto à circulação da obra: o Município da Amadora irá adquirir 100 exemplares do título vencedor.

Cinco obras disputam principal prémio português

Na categoria Melhor Obra de Banda Desenhada de Autor Português, estão nomeadas cinco obras:

Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo e Júlia Barata, editado pela Leya/Caminho; Rare Flavours, de Filipe Andrade e Ram V, pela Kingpin Books; Dormindo Entre Cadáveres, de Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci, pela Zigurate; O Progresso da Humanidade, de João Sequeira e Rui Cardoso Martins, pela Polvo; e Atrahasis, de David Soares e Sónia Oliveira, também pela Kingpin Books.

Entre os títulos, Caderno de Memórias Coloniais transpõe para novela gráfica a obra de Isabela Figueiredo sobre a memória colonial portuguesa em Moçambique, com ilustrações de Júlia Barata. A edição foi publicada pela Caminho em junho de 2026.

Da BD internacional aos novos talentos

Na categoria de Melhor Obra Estrangeira de BD Editada em Portugal, concorrem Soli Deo Gloria, de Jean-Christophe Deveney e Edouard Cour; Ulysse & Cyrano, de S. Servain e Xavier Dorisson; Blast – Tomo 1/2, de Manu Larcenet; A Fera vol. 2, de Zidrou e Frank Pé; e Os Trabalhadores do Mar, de Michel Durand.

O Prémio Revelação, que ganha este ano maior peso com a introdução dos 3.000 euros de recompensa, coloca em disputa A Cada Sete Ondas, de Beatriz Brajal; Canalha Borrada, de Zé Lázaro Lourenço; Manda msg quando chegares, de R.G.B.; A Solidão do Ser, de Helena Sá; e O cão invisível, de Wandson Lisboa.

Na área independente, estão nomeados Palácio #5, de Francisco Sousa Lobo; Alzine #3, publicação coletiva da Associação Tentáculo; Augusto Trigo: “O menino que rabiscava paredes” e “Na pista de um Sonho”, de José Baptista, Augusto Trigo e Jorge Magalhães; e Fanzine Poesia BD nº14 – A Avó Florinda e o Avô que Bebia Cachaça, de António Tavares e Paulo Diogo.

A edição portuguesa também em destaque

Cinco títulos disputam a categoria de Melhor Edição Portuguesa de Banda Desenhada: A Fera vol. 2, de Zidrou e Frank Pé; O Grande Poder do Chninkel, de Van Hamme e Rosinski; Os Trabalhadores do Mar, de Michel Durand; Rare Flavours, de Filipe Andrade e Ram V; e Shi – Livro 2, de Zidrou e Joseph Homs.

O júri de 2026 é constituído por Rui Cartaxo, representante do Município da Amadora e presidente do júri; Cristina Alves, crítica e especialista em banda desenhada; e Luís Louro, vencedor em 2025 do prémio de Melhor Obra de Banda Desenhada de Autor Português com Os Filhos de Baba Yaga.

Lucky Luke, Blake & Mortimer e Quarteto Fantástico em ano de aniversário

Os prémios integram uma edição particularmente marcada pelas grandes efemérides da história da banda desenhada.

O Amadora BD 2026 decorre de 15 a 25 de outubro e apresenta 14 exposições distribuídas pelo Núcleo Central, no Parque da Liberdade, pela Galeria Municipal Artur Bual e pela Bedeteca da Amadora.

O festival celebra os 80 anos de Lucky Luke e de Blake & Mortimer, os 65 anos do Quarteto Fantástico, os 40 anos de Dylan Dog e os 25 anos de O Menino Triste, de João Mascarenhas.

A homenagem a Lucky Luke inclui originais de Morris, enquanto Blake & Mortimer terá em destaque o trabalho de Peter Van Dongen, que estará presente no festival. A celebração do Quarteto Fantástico leva à Amadora o argumentista Ryan North e o ilustrador Iban Coello.

Guy Delisle entre os convidados internacionais

Outro dos nomes fortes da programação é o autor canadiano Guy Delisle, alvo de uma exposição retrospetiva e com presença anunciada no festival.

O Núcleo Central acolhe ainda exposições como As Linhas que Traçam o Meu Corpo, com presença da autora Mansoureh Kamari; As Raparigas de Salém, acompanhada pelo autor Thomas Gilbert; Shi – Ciclo Um, com Joseph Homs; e Crónicas de Enerelis, de Patrícia Costa.

Na Galeria Municipal Artur Bual, o cartoon e a sátira ganham espaço através de uma retrospetiva do projeto Spam Cartoon, de André Carrilho, Cristina Sampaio, Tiago Albuquerque e João Fazenda, e de uma exposição dedicada a Vasco Gargalo.

Já a Bedeteca da Amadora recebe Tales from Nevermore, de Pedro N. e Manuel Monteiro, vencedor do Prémio Revelação em 2025.

Um festival que chega aos 37 anos

Criado em 1990 por iniciativa da Câmara Municipal da Amadora, o Amadora BD tornou-se um dos principais pontos de encontro da banda desenhada em Portugal, juntando autores, argumentistas, ilustradores, editores, colecionadores e leitores de diferentes nacionalidades.

Os Prémios de Banda Desenhada da Amadora acompanham o festival desde a sua origem, distinguindo anualmente obras e autores portugueses e estrangeiros publicados no mercado nacional.

Além das exposições e encontros com autores, a edição de 2026 mantém as sessões adicionais de autógrafos às sextas-feiras, entre as 18h00 e as 20h00, e a iniciativa Hora da BD, que permite aos visitantes beneficiar de descontos adicionais até 15% na aquisição de livros, de segunda a quinta-feira, também entre as 18h00 e as 20h00.

Mais do que aumentar o valor financeiro dos prémios, a edição de 2026 procura reforçar uma dimensão que tem acompanhado a história do festival: dar visibilidade à criação, apoiar a edição portuguesa e aproximar novos leitores da banda desenhada.

A resposta sobre quem sucede aos vencedores de 2025 chega a 18 de outubro, no Parque da Liberdade.