Conforme o Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas Copernicus – que realiza medições utilizando milhares de milhões de dados de satélite e meteorológicos desde 1940 –, no mês passado a temperatura média global da

superfície do mar foi de 20,96 °C, superando o anterior recorde de 2023.

Porque, já em agosto e nalguns pontos específicos do planeta, o mar anda ainda mais quente.

De acordo com o sistema de monitorização do Centro de Estudos Ambientais do Mediterrâneo (CEAM), cerca de 62% deste mar encontra-se em condições de onda de calor marinha, com uma temperatura média da água superficial de 28,2 °C, quase 2 °C acima

do valor médio das últimas décadas.  Temperatura média, acentuamos.

Porque, em várias boias colocadas ao largo das ilhas Baleares, têm sido registados recordes excecionais como na

tarde de 5 de agosto, quando foram medidos 33,02°C perto do ilhéu Sa Dragonera, a sudoeste de Maiorca; e na tarde do passado sábado, 8, estiveram 32,36 °C na boia de Maó, a leste de Menorca.

O poderoso El Niño que se está a formar no Pacífico “é provavelmente a força motriz” por detrás destas temperaturas excecionalmente quente em partes do Mediterrâneo e do Atlântico já afirmou o diretor do Copernicus, Carlo Buontempo. “Estamos perante um El Niño possivelmente sem precedentes em termos de amplitude”, disse o cientista.

“E é evidente que a contribuição vinda do Pacífico tropical está a tornar-se bastante importante.”

O El Niño é a fase quente de um ciclo climático natural que funciona como um amplificador temporário das temperaturas no Pacífico tropical. E o que acontece no oceano não fica no oceano – o calor é libertado do mar para a atmosfera, elevando as temperaturas globais de um planeta que não tem parado de aquecer graças aos gases com efeito de estufa.

Os oceanos absorvem a maior parte do excesso de calor causado pelas nossas emissões de carbono. Ainda assim, o mês passado foi o segundo julho mais quente

de que há registo, com uma temperatura média do ar à superfície 1,47 °C acima do nível pré-industrial. Os cientistas do Copernicus lembram que o último El Niño

contribuiu para que 2023 e 2024 se tornassem o segundo e o primeiro anos mais quentes de que há registo, e preveem um novo recorde para as temperaturas médias globais já este ano ou no início de 2027.

Quase todos os modelos de previsão sazonal disponíveis para cientistas climáticos e meteorologistas estão a prever um evento El Niño sem precedentes, avisou em julho a Union of Concerned Scientists

(UCS), uma organização sem fins lucrativos fundada em 1969 por cientistas e estudantes do MIT. “E um super El Niño levará quase certamente as temperaturas a níveis recorde”, lembrou recentemente

o investigador Marc Alessi. Existe a possibilidade de atingirmos uma temperatura média global mensal de mais 2,5 °C, bem acima das metas estabelecidas no Acordo

de Paris sobre o Clima.

O mar nunca esteve tão quente e já esta Io o mos a sentir efeitos em terra.

Entretanto cerca de 8 a 13 milhões de toneladas de plástico entram nos oceanos todos os anos um lixo que ameaça a vida marinha, destrói ecossistemas e contamina a cadeia alimentar com microplásticos, afetando também a saúde humana.

Causas da Poluição

  • Plásticos descartáveis: Garrafas, sacos, talheres e beatas de cigarro usados uma só vez.
  • Redes de pesca perdidas: Equipamentos abandonados que continuam a prender animais.
  • Má gestão de resíduos: Lixo urbano levado por ventos, rios e esgotos até ao mar.

Consequências no Mar

  • Asfixia e entupimento: Animais como tartarugas e aves confundem plástico com comida.
  • Fragmentação: O sol e as ondas partem o plástico em microplásticos invisíveis.
  • Toxicidade: Os químicos do plástico entram no organismo dos peixes e chegam ao prato dos humanos.

 

O que podemos fazer

  • Reduzir o uso de plásticos de uso único.
  • Reciclar e reutilizar sempre que possível.
  • Participar em limpezas de praias locais.