A sonoridade de Zulu nasce do cruzamento orgânico entre os ritmos tradicionais de Cabo Verde, a melancolia da morna, o balanço contagiante da coladeira, a força do funaná, a potência ancestral do batuque e as texturas contemporâneas do jazz, do blues e da soul. Profundamente enraizada na cultura e na identidade do seu povo, canta em português e em crioulo cabo-verdiano temas como o amor incondicional, o apego à terra natal, a transmissão das tradições e a resiliência das mulheres, uma abordagem que lhe valeu o epíteto de “a princesa cabo-verdiana da música terapêutica”.
O EP de estreia, Briza, lançado em 2025, é o retrato dessa visão artística. Com seis faixas autorais, o trabalho atravessa temas sociais, culturais e pessoais, incluindo uma homenagem à lendária Cesária Évora no single Cise é Testemunha. O reconhecimento foi imediato: quatro nomeações nos prémios da música cabo-verdiana, entre elas a de Artista Revelação.
A jornada internacional de Zulu em 2026 arrancou a 21 de junho, no Palco Chellah do Festival Mawazine, em Rabat, Marrocos, um dos maiores festivais de música do mundo, e o palco perfeito para afirmar a versatilidade e a densidade cultural da artista. Vestida em cores vibrantes, Zulu criou, desde as primeiras notas, uma atmosfera de comunhão com o público. Num momento particularmente emotivo, prestou homenagem à sua maior inspiração, Cesária Évora, interpretando Petit Pays, je t’aime beaucoup. O concerto ficou marcado por uma cena de ternura inesperada: uma criança subiu espontaneamente ao palco e ficou junto à cantora, que a pegou ao colo e prosseguiu a atuação sem hesitar — um instante que resumiu a capacidade única de Zulu de estabelecer uma ligação direta e sincera com quem a ouve. O alinhamento incluiu ainda Festa Santo Santiago e Alma Forte, faixa de abertura do EP Briza e verdadeiro hino à resiliência das mulheres africanas.
Em agosto, o calor e a morabeza cabo-verdianos desembarcam na Europa, com a primeira digressão da artista na Bélgica. Zulu junta-se à programação do festival Zomer van Antwerpen, que transforma a cidade num grande palco ao ar livre durante todo o verão. Serão cinco concertos intensos, em diferentes praças e espaços públicos da região de Antuérpia: a 5 de agosto em De Schinde, a 6 em De Coninckplein, a 7 em Dageraadplaats, a 8 em Floris Primspark e a 9 em Kroonplein.
O que esperar de cada concerto? Um espetáculo que transporta o público numa viagem pela essência de Cabo Verde — uma fusão contagiante de ritmos tradicionais e contemporâneos, interpretados com a mesma paixão e intensidade que já conquistaram Marrocos. A artista promete percorrer, mais uma vez, a espinha dorsal da tradição musical das ilhas, numa fusão que faz dançar e emocionar amantes da música de todas as origens.
Com a agenda internacional de 2026 ainda em aberto e novas atuações por confirmar, Zulu afirma-se como uma das vozes mais promissoras da nova geração da música mundial.