O encontro  foi feita no contexto de um projeto de foto armadilhagem, uma técnica de monitorização da fauna selvagem através de câmaras automáticas, utilizada para acompanhar as espécies presentes nos parques e monumentos sob gestão da empresa.

Segundo a Parques de Sintra, a presença da lontra constitui um importante indicador da qualidade dos ecossistemas locais, uma vez que esta espécie depende de habitats aquáticos bem conservados e com abundância de alimento, como peixes, anfíbios e invertebrados.

O presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra, João Sousa Rego, anunciou em comunicado  que ainda não é possível saber se o animal é residente ou apenas se encontrava de passagem.

"Independentemente dessa circunstância, a sua presença constitui um importante indicador biológico da qualidade dos habitats existentes no Parque da Pena e da boa condição ecológica dos ecossistemas que integram a Paisagem Cultural e o Parque Natural de Sintra-Cascais."

O projeto de monitorização permitiu igualmente confirmar a utilização frequente de algumas zonas do Parque da Pena e da Tapada do Moucopor outras espécies de mamíferos de hábitos noturnos, entre elas texugos, genetas e raposas.

Estes registos contribuem para aprofundar o conhecimento sobre a biodiversidade existente na Serra de Sintra e para apoiar futuras decisões de gestão e conservação.

Cinco milhões de euros para biodiversidade e resiliência climática

Segundo a Parques de Sintra, este ano será investido cinco milhões de euros em projetos relacionados com a biodiversidade e a resiliência climática, o dobro do valor aplicado no ano anterior.

De acordo com João Sousa Rego, parte deste investimento destina-se ao desenvolvimento científico e à monitorização dos ecossistemas, permitindo avaliar a eficácia das medidas de conservação implementadas.

A lontra é um mamífero da família dos mustelídeos, distribuído pela Europa Ocidental, Ásia e Norte de África.

Em Portugal continental, a espécie encontra-se presente em grande parte do território, embora a sua ocorrência no interior da Serra de Sintra não fosse confirmada há muitos anos.