A cáfila revisionista parlamentarista moderna reduziu-se a uma insignificância tal, que agora procura desesperadamente por atenção mediática através da política reactiva.
Quando não se tem uma linha política sólida, ou pelo menos um conjunto de princípios base nos quais os membros de um partido se possam apoiar, é muito fácil cair na dinâmica política de “eu sou tudo o que o meu oponente não é”.
O PCTP/MRPP é um partido que se rege fielmente pelo marxismo, que não é só uma ideia política, mas uma ferramenta completamente única, refinada e extremamente verossímil. Se a utilizarmos adequadamente – coisa que só com muito, mas muito estudo mesmo é que se pode sequer começar a imaginar fazer – podemos construir um programa adequado às necessidades das massas trabalhadoras baseado na realidade material, que, novamente, só se analisa correctamente através da lente da dialéctica materialista.
Deste modo, os marxistas conseguem estar muito mais próximos de analisar a realidade, compreendê-la e ajustar as suas acções consoante as suas conclusões. No entanto, não é isto que os partidos da esquerda parlamentar portuguesa têm andado a fazer. Pelo contrário, os reformistas no parlamento não seguem qualquer linha política consistente. Assim, criam dentro dos partidos um vácuo: se não fazem política através de uma observação acertada da realidade material, os senhores e senhoras deputados têm de tirar assunto de algum lado. Ora, se não estão a olhar para a luta de classes e para o movimento operário, esses mesmos políticos vão virar a sua cabeça para a direita e vão tirar de lá ideias.
Tomemos, por exemplo, a questão da imigração: A posição da chamada “esquerda” é a seguinte: A direita está efectivamente a aproveitar-se deste fenómeno altamente complexo para seu benefício. Distorce-o, simplifica-o e utiliza-o de modo a criar entre o povo, algo que se assemelha a uma união, contra um bode expiatório comum a todos os portugueses.
Existe, nesta análise, um fundo de verdade. Quando esta “esquerda” olha para os fenómenos migratórios e observa uma questão que vai muito mais além dos barcos e dos impostos. No entanto, existe nesta análise, uma escolha proposital para ignorar essa complexidade. Param de falar em colonialismo, em história, em consequências e em dialéctica e passam a ver a situação da seguinte forma: se a direita diz que a imigração é má, então nós vamos dizer que na forma actual em que se manifesta, a imigração não tem problema algum.
Passámos para uma total política de reacção! Se o parlamento antes era um circo agora é uma luta entre dois pirralhos que se contrariam um ao outro com a finalidade única de se distinguirem.
O Bloco, o P”C”P e o Livre têm medo de passar a impressão que estão a concordar pelo mínimo que seja com as idiotices da direita, e por isso, passam simplesmente a desligar os seus cérebros e a deitar para o lixo qualquer método de análise científico, limitando-se só a dizer exactamente o oposto do que foi dito do outro lado do parlamento.
A intelectualidade desapareceu por completo de vez do parlamento!