Vale acentuar que não existem filmes de ficção ou documentários de grande repercussão sobre  exclusivamente o ELP (Exército de Libertação de Portugal) ou ao MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal) ou o movimento maria da fonte.

No entanto seria de se estudar o que tiveram a ver com o assassinato de Amaro da Costa e Sá Carneiro em um ataque bombista!

As atividades da "rede bombista" de direita e extrema-direita em 1974–1975 ligadas ao MDLP e ao ELP e à dita maria da fonte continuam largamente por adaptar ao grande ecrã de forma autónoma, limitando-se  a  registos de reportagem histórica e documentários de arquivo da RTP

As organizações de extrema-direita ELP (Exército de Libertação de Portugal), MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal) e o Movimento Maria da Fonte (que operavam de forma articulada no chamado "Verão Quente" de 1975) protagonizaram pelo menos 566 atentados com explosivos, sendo diretamente responsabilizadas pela morte de 7  pessoas.

Nao há prova direta de relaçao do ataque bombista ao aviao onde viajavam Amaro da Costa e Sa Carneiro Francisco Sá Carneiro, a sua companheira Snu Abecassis, o ministro da Defesa a esposa deste, Maria Manuela Amaro da Costa, o chefe de gabinete António Patrício Gouveia, e os dois pilotos, Alfredo Sousa e Jorge Albuquerque.

Todos faleceram tendo gerado forte comoçao socio politica dadas as eleições presidenciais logo a seguir ao atentado

Mas se nao ha prova concreta no ar fica a percepção dos fascios de levar o terror ate ao golpe de estado fascista e à  queda do regime de Abril

Outra grave ação da fascio rede bombista foi  a 2 de abril de 1976, perto de Vila Real onde foram assassinados à bomba o Padre Max (Maximino Barbosa de Sousa), 33 anos, candidato a deputado pela UDP e Maria de Lurdes Ribeiro Correia, estudante, 19 anos.

As consideráveis somas arrecadadas foram doadas pelo patronato português, sobretudo do setor dos transportes, por banqueiros, empresários conterrâneos sediados em Madrid, como Manuel Queiroz Pereira e Manuel Bulhosa, e também pelas comunidades portuguesas sediadas nos Estados Unidos, no Canadá e na África do Sul.

A Igreja Católica no norte do país, por via do cónego Eduardo Melo, também teve um peso considerável no financiamento do MDLP e do maria da fonte.

e  da cumplicidade de elementos da PSP e da GNR como de  Spínola terá ainda e da  apoio da Central Intelligence Agency (CIA).

Das fileiras do MDLP constavam elementos da PIDE/DGS, legião portuguesa, antigos combatentes, militares de carreira que discordavam da descolonização, mercenários de organizações de extrema-direita e criminosos de várias índoles como militantes de vários partidos de extrema-direita ilegalizados depois da primeira tentativa de golpe contrarrevolucionário, como  do Movimento Federalista Português.

José Miguel Júdice, Fernando Pacheco de Amorim, Diogo Pacheco de Amorim, José Valle de Figueiredo, António Marques Bessa, Manuel Queirós Pereira são disso exemplo.

A 'estratégia de tensão', com a criação artificial do caos no país, protagonizada pelo MDLP tinha como fim desestabilizar por completo o governo, para que as forças de extrema-direita surgissem como a solução para os problemas de Portugal, e  pugnar pelo controlo sobre as antigas colónias africanas.

Para esse efeito, o MDLP não se coibiu de se juntar a outras forças terroristas, como é o caso do Exército de Libertação de Portugal (ELP), de Agostinho Barbieri Cardoso, ex-subdiretor-geral da PIDE/DGS, ou do Plano Maria da Fonte, de Jorge Pereira Jardim, ex-secretário de Estado de Salazar e ex-administrador do grupo Champalimaud.

A maioria dos dirigentes do MDLP, entre os quais Diogo Pacheco de Amorim, hoje vice-presidente da Assembleia da República, nomeado pelo Chega, estava sediada em Madrid.

Entre agosto e outubro de 1975, sedes de forças políticas de esquerda, principalmente do PCP, no norte de Portugal foram alvo de ataques do MDLP.

A Polícia Judiciária Militar contabilizou ainda, somente na zona da Figueira de Castelo Rodrigo, 65 incêndios de origem criminosa, cuja responsabilidade foi atribuída ao ELP e MDLP.

No livro Quando Portugal Ardeu, o jornalista Miguel Carvalho escreve que “os vários ‘exércitos’ da contrarrevolução, alguns avulsos, foram responsáveis por 566 ações violentas no país entre maio de 1975 e abril de 1977, uma média de 24 atos de terrorismo por mês, quase um por dia, causando mais de 10 mortes e prejuízos incalculáveis no património de vítimas e instituições”.

“Os partidos de esquerda, como o PS, com o PCP à cabeça, foram os alvos preferenciais de quase 80% das bombas incendiárias, espancamentos, apedrejamentos e atentados a tiro”, acrescenta o autor.

2 de abril de 1976, o padre Maximino Barbosa de Sousa, de 32 anos, e a estudante Maria de Lurdes Correia, de 18 anos, foram assassinados num atentado à bomba em Cumieira, concelho de Vila Real. Só 23 anos depois, na sequência de um longo processo judicial, a Justiça atribuiu as responsabilidades ao MDLP, sem, no entanto, condenar nenhum dos executantes ou responsáveis. Antes do seu bárbaro assassinato, o padre Max, como era conhecido, era já alvo de inúmeras ameaças, na medida em que que não se coibia de denunciar os abusos dos patrões, as ações da extrema-direita e as suas ligações à Igreja Católica.

Vinte dias após o assassinato do padre Max, a 22 de abril, dois cubanos, Adriana Corço Callejas e Efrén Monteagudo Rodríguez, morreram num atentado terrorista contra a Embaixada de Cuba em Lisboa, e mais de uma dezena de pessoas ficaram feridas. O crime foi reivindicado pelo Movimento Anticomunista Português (MAP), que mantinha ligações com o MDLP.

Já a 21 de maio de 1976, um ataque bombista dirigido ao operário têxtil e sindicalista António Teixeira vitimou a sua esposa, Rosinda Teixeira, em São Martinho do Campo, Santo Tirso. O atentado, encomendado pelo comendador Abílio de Oliveira, um dos maiores industriais têxteis da região, foi da autoria de três operacionais, entre eles Ramiro Moreira, membro do MDLP. Ramiro Moreira regressou a Portugal, anos mais tarde, graças a um indulto assinado em 1991 pelo presidente da República Mário Soares.

“António Teixeira, marido de Rosinda, a vítima mortal na noite fatídica de maio de 1976, começara a trabalhar para ele [esse empresário] em 1949 e notara a grosseria dos modos, os maus-tratos aos empregados, o assédio sexual às operárias. ‘Ele chamava ao gabinete as que lhe interessavam, mas muitas não lhe davam hipótese. Chegava a agredi-las à chapada na frente de toda a gente’, ilustra Nélson Teixeira [filho da mulher assassinada], a partir de histórias escutadas ao pai e a outros empregados. O descaro incluía mulheres grávidas e casadas, ouvir-se-ia mais tarde em tribunal”, relata Miguel Carvalho em Quando Portugal Ardeu.

Regresando à morte do padre Max vale comparar com outras situações

Na URSS, na Polónia, na Checoslováquia e na Hungria o clero como era  um inimigo político e a abater

E por isso sacerdotes como Jerzy Popiełuszko na Polónia, Władysław Gurgacz, ou Jan Bula e Václav Drbola na Chéquia, foram mortos após julgamentos políticos forjados ou pelas polícias secretas.

Nas democracias ocidentais, os  crimes políticos sobre o o clero foi extremamente raro e pontual — como o assassínio de figuras ligadas a tensões sociopolíticas ou terrorismo como na Irlanda do Norte ou o Padre Jacques Hamelna França, vítima de terrorismo jihadista em 2016

Durante o conflito político conhecido como The Troubles (especialmente entre o final dos anos 60 e 1990) na Irlanda do Norte, alguns sacerdotes católicos romanos foram mortos a tiro por forças militares ou paramilitarescomo o Padre Hugh Mullan morto a tiro pelo Exército Britânico em agosto de 1971, em Belfast, enquanto tentava socorrer um ferido durante o massacre de Ballymurphy e o Padre Noel Fitzpatrick morto a tiro em julho de 1972, em Belfast, também pelas forças britânicas, enquanto prestava assistência num incidente que mais tarde foi considerado uso ilegal de força letal.

  • Região mais perigosa, com destaque para a Nigéria e Burquina Faso, contabilizando 10 mortes em 2025 entre padres, seminaristas e catequistas devido a raptos, terrorismo e conflitos locais.
  • América: Regnuou com 4 casos no mesmo período, abrangendo países como o México, Haiti e Estados Unidos.
  • Ásia e Europa: Ocorreram 2 mortes na Ásia (Myanmar e Filipinas) e 1 na Europa (Polónia).

E claro nao deixamos de denunciar os assassinatos de membros do clero catolico da Teologia da Libertação,

  • Dom Óscar Romero (El Salvador): Arcebispo de San Salvador, assassinado a tiro em 24 de março de 1980 enquanto celebrava missa, após denunciar a violência militar canonizado pelo Papa Francisco em 2018.
  • Padre Rutilio Grande (El Salvador): Padre jesuíta e forte defensor dos camponeses pobres, assassinado em 1977 por esquadrões da morte, um evento marcante na conversão pastoral de Dom Óscar Romero.
  • Padre Camilo Torres (Colômbia): Sacerdote sociólogo e cofundador da faculdade de sociologia da Universidade Nacional da Colômbia, que integrou o grupo guerrilheiro ELN. Morreu em combate contra o exército colombiano em fevereiro de 1966.
  • Padre João Bosco Burnier (Brasil): Sacerdote jesuíta assassinado em outubro de 1976 em Matupá (Goiás/Mato Grosso), ao tentar defender duas mulheres torturadas na delegacia local, numa ação ligada à Prelazia de São Félix do Araguaia de Dom Pedro Casaldáliga.
  • Padre Ezequiel Ramin (Brasil): Missionário comboniano assassinado em Rondônia em julho de 1985, devido ao seu forte apoio à luta pela reforma agrária e defesa dos povos indígenas.
  • Padre Ignacio Ellacuría e Companheiros (El Salvador): Reitor da Universidade Centro-Americana (UCA) e proeminente teólogo da libertação, assassinado junto com outros cinco padres jesuítas e duas mulheres por forças militares em novembro de 1989.

Enquanto a Igreja Católica reconheceu formalmente o martírio de figuras como Dom Óscar Romero por "ódio à fé" (em sentido amplo de defesa da justiça evangélica), muitos clérigos ligados a esta corrente atuaram na fronteira entre a denúncia profética dos direitos humanos e a agitação sociopolítica de esquerda estando esquecidos.

Se  o epicentro foi  a América Latina (Brasil, El Salvador, Colômbia, Peru), redes de solidariedade e reflexão estenderam-se a África e a Europa através de teólogos e missionários comprometidos com a descolonização e os direitos sociais.

E em Angola tivemos o padre Fernando Santos Neves “convidado a sair de Angola” pelo colonial fascismo