A AICPM entende que foram esgotadas todas as vias de diálogo com a instituição, que vincou estar em "colapso material"
Os inspetores denunciaram comandos locais a funcionar com apenas um polícia de serviço e encerrados ao público a partir das 17h00 e um Grupo de Ações Táticas (GAT) reduzido a um único meio náutico.
Referiram ainda que as viaturas todo-o-terreno são antigas e que "chumbam em massa" nas inspeções periódicas.
Os inspetores criticaram ainda o que classificaram como "um esquema" que consiste em colocar elementos da Armada em funções da Polícia Marítima ou na Direção-Geral da Autoridade Marítima, com "elevado potencial para facilitar os mecanismos de promoções dos seus quadros de recursos humanos".
A isto acresce, notaram, a ingerência do Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), "sem competência hierárquica sobre a polícia", e que exoneraram três comandantes-gerais da Polícia Marítima em dois anos.
"A associação repudia o silêncio dos sucessivos Governos, que toleram que uma chefia militar dite as regras e atropele o comando legítimo desta força de segurança", acrescentou.
No que se refere à asfixia financeira, a associação detalhou que a Polícia Marítima não tem um orçamento próprio, que vive de "migalhas" da Armada e que o Ministério das Finanças "estrangulou" novas entradas.
Os dados avançados pela associação mostram que, em 10 anos, entraram 182 agentes. Por isso, a AICPM exige o cumprimento do quadro legal mínimo de 722 efetivos.
"A AICPM recusa assistir de braços cruzados ao desaparecimento deliberado desta polícia especializada, traçando o paralelo com a extinção do SEF [Serviço de Estrangeiros e Fronteiras]. O processo que ontem [sexta-feira] deu entrada no Tribunal Administrativo de Circulo de Lisboa é um sinal de que os profissionais de carreira não vão tolerar mais abusos", concluiu o comunicado .