O consumo total de água contando com os setores industrial e agrícola e o consumo de água de rede têm parâmetros que variam muito dentro da UE.
A discrepância entre Portugal e a média europeia deve-se aos hábitos diários, à utilização em espaços verdes, às perdas nas redes de distribuição e à utilização de água engarrafada onde Portugal é um dos maiores consumidores da Europa.
Olhando para o concelho de Almada aparentemente o mesmo não está a conseguir captar água suficiente para responder à procura, que, de acordo com a presidente do municipio Inês de Medeiros, mais que duplicou este ano em algumas zonas do concelho.
Há, ainda, outro fator que ajuda a explicar o problema: as ligações clandestinas e os desvios indevidos na rede.
Haverá água que estará a ser retirada do sistema sem controlo, aumentando o consumo real e dificultando a gestão dos reservatórios.
A isto junta-se uma rede pressionada por perdas, fugas e necessidade de investimento.
Portanto, há mais água a sair do sistema do que aquela que os serviços conseguem repor com segurança. E quando os reservatórios baixam, surgem falhas, quebras de pressão ou mesmo cortes em algumas zonas.
A Câmara reconhece que o problema não é de agora, mas foi surpreendida com desvios de rede em locais onde não estava à espera.
Portanto, já se sabia que havia consumos excessivos e perdas, mas a dimensão dos desvios só se tornou mais evidente com o aumento anormal do consumo e com a pressão sobre o abastecimento.
Por isso, vai haver um reforço da fiscalização, sobretudo em zonas onde há consumos considerados anormais, para detetar eventuais utilizações ilegais.
Há um aumento fora do habitual e, nesta altura do ano, tem muito a ver com o consumo sazonal de verão em Almada, sobretudo em zonas turisticas como a Costa da Caparica.
Ou seja, mais população temporária, praias, alojamentos, restauração, duches, regas e piscinas. Isso por si só já aumenta o consumo.
Com uma agravante: a recente onda de calor levou a uma maior procura, com moradores e comerciantes a denunciarem interrupções frequentes, em alguns casos durante várias horas.
Existe um risco de pressão sobre o abastecimento, mas a Câmara de Almada sublinha que é preciso garantir o funcionamento, por exemplo, de unidades de saúde, lares de idosos e bombeiros.
Portanto, a situação de alerta serve precisamente para acautelar esse abastecimento a serviços essenciais.
Está também proibido o uso de água para rega de jardins, lavagem de carros, enchimento de piscinas e utilização de chuveiros e lava-pés nas zonas balneares.
Tudo para permitir a recuperação dos reservatórios.
Em Portugal, o consumo mais elevado de água por habitante regista-se em concelhos da região do Algarve (como Lagoa, Loulé e Albufeira) e na Região Autónoma da Madeira, devido ao turismo e ao clima.
A nível de perdas e fugas na rede, o município de Almada destaca-se negativamente.
Os dados estruturam-se da seguinte forma: