Mas sejamos sérios, em Portugal, o consumo doméstico de água canalizada ronda os 124 litros por habitante/dia, e o gasto total diário (incluindo comércio e serviços) atinge os 187 litros por pessoa.

Tal, coloca Portugal no segundo país da Europa com maior consumo de água per capita, um valor significativamente superior à média da União Europeia e à meta de consumo sustentável da ONU.

O consumo total de água contando com os setores industrial e agrícola e o consumo de água de rede têm parâmetros que variam muito dentro da UE.

A discrepância entre Portugal e a média europeia deve-se aos hábitos diários, à utilização em espaços verdes, às perdas nas redes de distribuição e à utilização de água engarrafada onde Portugal é um dos maiores consumidores da Europa.

  • Consumo doméstico diário per capita: 124 litros em Portugal.
  • Consumo total diário (inclui serviços): 187 litros em Portugal.
  • Média da UE: Varia amplamente de país para país, mas a média diária residencial costuma situar-se entre os 100 e os 150 litros por pessoa.
  • Água Engarrafada: Portugal é um dos países europeus que mais consome água engarrafada per capita (cerca de 50 litros anuais por pessoa).
  • Regiões em Portugal: Em Portugal Continental, o distrito de Lisboa regista consumos diários totais que podem chegar aos 281 litros por pessoa, devido à concentração populacional e de atividades económicas.

Olhando para o concelho de Almada aparentemente o mesmo não está a conseguir captar água suficiente para responder à procura, que, de acordo com a presidente  do municipio Inês de Medeiros, mais que duplicou este ano em algumas zonas do concelho.

Há, ainda, outro fator que ajuda a explicar o problema: as ligações clandestinas e os desvios indevidos na rede.

Haverá água que estará a ser retirada do sistema sem controlo, aumentando o consumo real e dificultando a gestão dos reservatórios.

A isto junta-se uma rede pressionada por perdas, fugas e necessidade de investimento.

Portanto, há mais água a sair do sistema do que aquela que os serviços conseguem repor com segurança. E quando os reservatórios baixam, surgem falhas, quebras de pressão ou mesmo cortes em algumas zonas.

A Câmara reconhece que o problema não é de agora, mas foi surpreendida com desvios de rede em locais onde não estava à espera.

Portanto, já se sabia que havia consumos excessivos e perdas, mas a dimensão dos desvios só se tornou mais evidente com o aumento anormal do consumo e com a pressão sobre o abastecimento.

Por isso, vai haver um reforço da fiscalização, sobretudo em zonas onde há consumos considerados anormais, para detetar eventuais utilizações ilegais.

Há um aumento fora do habitual e, nesta altura do ano, tem muito a ver com o consumo sazonal de verão em Almada, sobretudo em zonas turisticas como a Costa da Caparica.

Ou seja, mais população temporária, praias, alojamentos, restauração, duches, regas e piscinas. Isso por si só já aumenta o consumo.

Com uma agravante: a recente onda de calor levou a uma maior procura, com moradores e comerciantes a denunciarem interrupções frequentes, em alguns casos durante várias horas.

Existe um risco de pressão sobre o abastecimento, mas a Câmara de Almada sublinha que é preciso garantir o funcionamento, por exemplo, de unidades de saúde, lares de idosos e bombeiros.

Portanto, a situação de alerta serve precisamente para acautelar esse abastecimento a serviços essenciais.

Está também proibido o uso de água para rega de jardins, lavagem de carros, enchimento de piscinas e utilização de chuveiros e lava-pés nas zonas balneares.

Tudo para permitir a recuperação dos reservatórios.

Em Portugal, o consumo mais elevado de água por habitante regista-se em concelhos da região do Algarve (como Lagoa, Loulé e Albufeira) e na Região Autónoma da Madeira, devido ao turismo e ao clima.

A nível de perdas e fugas na rede, o município de Almada destaca-se negativamente.

Os dados estruturam-se da seguinte forma:

  • Autarquias com Maior Consumo Doméstico per capita: Segundo dados estatísticos (Pordata), os três municípios portugueses onde os particulares mais consomem água situam-se no Algarve: Lagoa, Loulée Albufeira. O fator turístico intensivo eleva drasticamente os valores face à média nacional.
  • Perdas e Desperdício na Rede Pública: O Governo identificou Almadacomo o município com maiores perdas de água na rede de distribuição (valores acima dos 35%), o que obriga a severas medidas de restrição no abastecimento local.
  • Regiões Autónomas: As ilhas registam taxas de distribuição de água por habitante globalmente mais altas do que o Continente, com a Região Autónoma da Madeira a atingir índices na ordem dos 89,1 m³/habitante/ano e os Açores cerca de 85,9 m³/habitante/ano.
  • Escassez e Pressão Hídrica Global: As bacias hidrográficas que enfrentam a pressão mais severa são a do Sado e Mira e as Ribeiras do Algarve, onde a junção do consumo urbano, industrial e agrícola gera um índice de escassez superior a 70%