Mais do que um simples festival, o evento assume-se como uma resposta comunitária a um dos episódios meteorológicos mais devastadores vividos recentemente no concelho. A tempestade Kristin deixou marcas significativas em várias infraestruturas locais, obrigando a uma mobilização solidária que junta artistas, associações, autarquia e cidadãos em torno de uma causa comum: reconstruir aquilo que foi perdido.
Segundo o município da Marinha Grande, esta iniciativa representa “um verdadeiro momento de união e esperança para a comunidade marinhense”. Em comunicado, a autarquia sublinha ainda que o festival “nasce de um gesto solidário e coletivo”, tornado possível graças ao envolvimento voluntário dos Xutos & Pontapés, de artistas locais e de diversas entidades que aceitaram participar gratuitamente.
As receitas obtidas através da venda de bilhetes serão integralmente canalizadas para seis instituições particularmente afetadas pela depressão Kristin: a ADESER II – IPSS, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande, os Bombeiros Voluntários de Vieira de Leiria, a Associação de Casal Galego, o Sport Operário Marinhense e o Sporting Clube Marinhense.
Paralelamente ao cartaz musical, o festival terá também uma forte componente comunitária e gastronómica. Cerca de uma dezena de associações locais marcará presença na área de restauração do recinto, aproveitando o evento para angariar fundos destinados à continuidade das suas atividades.
A programação musical arranca no dia 5 de junho às 18h30, prolongando-se até à meia-noite. Já no dia 6 de junho, o recinto abre portas às 12h30, com espetáculos e animação até depois da meia-noite, culminando com o aguardado concerto dos Xutos & Pontapés.
Os bilhetes para os dois dias têm um custo de 15 euros, estando também disponíveis bilhetes solidários no valor de 5 e 10 euros, destinados a quem deseja contribuir para a causa sem assistir ao festival.
Num tempo em que muitas comunidades enfrentam desafios crescentes, a Marinha Grande parece responder da forma mais poderosa: através da cultura, da entreajuda e da capacidade de transformar a adversidade em esperança. Como escreveu o poeta e ensaísta português Miguel Torga, “O universal é o local sem paredes”. E talvez seja precisamente isso que este festival representa: uma comunidade local a erguer-se, unida, para reconstruir o seu futuro.
Subscreva o jornal e acompanhe mais histórias que fazem a diferença