Nos finais da década de 1960 destacou-se como dirigente da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito de Lisboa (1966/1967) e integrou as listas oposicionistas da CDE nas eleições de 1969, num período em que a contestação ao regime do Estado Novo se intensificava no meio académico.
À data do 25 de Abril de 1974 encontrava-se preso em Caxias, sendo libertado apenas a 27 de abril, dois dias após a Revolução dos Cravos.
Funcionário do PCP desde 1976, entrou para o Comité Central no Congresso de 1979. Tornou-se uma das vozes públicas mais reconhecidas do partido durante os anos de liderança de Álvaro Cunhal (1913–2005), desempenhando funções centrais na área da informação e assumindo o papel de porta-voz. Em 1990 ascendeu à Comissão Política, após a escolha de Carlos Carvalhas para secretário-geral adjunto. Deixou o Comité Central em 2004, mantendo, contudo, uma presença ativa na reflexão política.
Nos anos mais recentes colaborou como colunista em vários jornais e manteve escrita regular até agosto de 2025 no blogue O Tempo das Cerejas. Nos seus últimos textos manifestou apoio à candidatura presidencial de António Filipe, criticou o estilo de oposição de José Luís Carneiro à frente do PS e chegou a partilhar referências culturais, como a canção “Snow Blind”, interpretada por Sarah L. King.
Em comunicado, o PCP expressou “profundo pesar”, sublinhando a sua “intervenção destacada na atividade do partido, onde desempenhou importantes tarefas e responsabilidades”.
Para além da atividade partidária, Vítor Dias teve intervenção cívica e cultural no concelho de Vila Franca de Xira, dirigindo associações culturais e desportivas e participando na Cooperativa Livreira e Cultural “DEVIR”, num período particularmente conturbado para o movimento cooperativo cultural.
Com a sua morte desaparece uma figura que atravessou a resistência ao regime, a construção da democracia e as transformações internas do PCP, mantendo até ao fim uma voz crítica, ideologicamente coerente e intelectualmente interventiva.