O que estes dirigentes temiam era o regresso de uma política expansionista alemã que poderia culminar com uma guerra em solo europeu. A História veio dar-lhes razão.

Pouco depois da reunificação (1990) a guerra rebentou na Jugoslávia (1991), uma guerra fratricida em que o lado apoiado pela Alemanha, a Croácia, conseguiu desmembrar o país à custa de milhares de mortos e muito sofrimento. Tito morrera em 1980 e nada teve a ver com o conflito, a reunificação alemã tudo. Uma guerra que se prolongou por vários anos e levou à intervenção armada da NATO. Ainda hoje a Bósnia ainda vive sob grande tensão entre croatas, muçulmanos e sérvios.

 

Depois veio em 1999 a guerra do Kosovo entre a NATO e a Servia para desmembrar este país em duas entidades.

A paz obtida e consolidada com a divisão alemã durou 45 anos, a reunificação alemã instalou de imediato a guerra em solo europeu. Thatcher e Mitterrand tinham razão, mas não foram ouvidos pelos americanos que impuseram a criação de um único Estado germânico.

Num primeiro momento enfraquecida economicamente, mas fortalecida em termos territoriais e demográficos, a Alemanha adotou uma política de domínio institucional da União Europeia (EU) e de expansão para leste, incorporando pouco a pouco todos os países do antigo bloco soviético na UE, o que lhe permitiu ultrapassar a crise económica e afirmar-se como a maior potência europeia e o seu motor económico. Esta expansão para leste era extremamente perigosa, criando rapidamente um confronto sério com a Rússia.

Assim, chegamos a 2014, em que a Alemanha lança a sua jogada de tomada do poder na Ucrânia através de um golpe de Estado, afastando o Presidente eleito Viktor Yanukovych através de grupos financiados e apoiados do exterior, armados e entrincheirados na Praça da Independência em Kiev. Para esta tomada do poder a Alemanha contou com o apoio dos EUA e da NATO.

Pouco menos de 25 anos após a reunificação a Alemanha e seus aliados estavam novamente à porta da Rússia planeando a sua partição e ocupação, tal como o tentara e falhara 74 anos antes na Operação Barbarosa lançada no final de 1940. A coligação constituída pelos alemães não se diferenciava muito daquela que sob o comando de Hitler invadiu a URSS. Aí estavam, então, as tropas italianas, romenas, finlandesas, norueguesas, e os fascistas ucranianos de Bandera. Atualmente a coligação alemã é maior e inclui alguns estados europeus que na altura eram seus adversários.

Hoje avançamos, sob a capa de negociações de Paz, para uma nova guerra de grandes dimensões em solo europeu. Uma guerra que poderá tornar-se nuclear. Uma guerra que devastará o centro europeu e lançará o continente numa era de morte em massa, destruição em larga escala, recessão económica profunda e recuo civilizacional em termos de condições de vida e direitos sociais.

A reunificação alemã abriu caminho para a guerra no continente europeu. Agora arrisca-se a destruí-lo mais uma vez. A premonição de Thatcher e Mitterrand concretizou-se. A Alemanha não aprendeu a lição e quer voltar a tentar subjugar os povos eslavos que sempre considerou inferiores e a apoderar-se das suas terras que define como seu espaço vital de expansão. A geografia tem influência na política e as extensas planícies são um convite às potencias capitalistas expansionistas para fazer avançar os seus tanques. Mesmo que tripulados por terceiros.

Como terminará esta terceira tentativa alemã de vergar a Rússia. Muito provavelmente como as duas anteriores. Na primeira (I Grande Guerra) Portugal sofreu a morte de muitos dos seus filhos, a economia nacional colapsou e o regime republicano foi substituído pela ditadura e pelo Estado Novo. Nessa altura lutamos do lado da Rússia czarista. A Alemanha foi vencida, mas não convencida. Logo depois rearmou-se e atacou de novo. Portugal, apesar de neutral, sofreu privações terríveis.

Desta vez, a Alemanha reunificada regressa às antigas políticas de expansão para Leste. Portugal alinha-se lado alemão. Que nos espera? 2026 vai ser decisivo. Não auguramos, contudo, nada de bom. 

Porfiemos pela PAZ.