O anúncio de um financiamento público de um milhão de euros para a internacionalização da cultura portuguesa foi recebido com satisfação pela Audiogest, que reconhece no gesto um sinal político claro de que a cultura começa a ocupar um lugar mais central na agenda estratégica do país.

Para a entidade que representa os produtores e editores musicais, trata-se de uma mensagem relevante, tanto no plano simbólico como institucional.

Particularmente valorizada é a articulação entre o Ministério da Cultura, a Economia — através da AICEP — e os Negócios Estrangeiros. Esta convergência interministerial aponta para uma leitura mais madura da música enquanto ativo económico e instrumento de projeção externa, ultrapassando a lógica restrita do apoio cultural tradicional. As declarações públicas da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto reforçam essa mudança de paradigma, ao assumirem a internacionalização das indústrias culturais e criativas como uma prioridade estratégica.

Ainda assim, a Audiogest sublinha que, quando diluído pelos vários subsetores culturais, o montante anunciado revela-se manifestamente insuficiente face à dimensão dos desafios. A internacionalização exige continuidade, escala, conhecimento de mercados, redes internacionais e capacidade de investimento sustentado — fatores difíceis de assegurar com apoios pontuais e dispersos. Daí a defesa de uma estratégia mais ampla, coerente e de médio prazo.

Nesse contexto, a associação propõe a construção de um modelo integrado que combine investimento público com capital privado, através de mecanismos de mecenato cultural e instrumentos de investimento específicos para a música. O objetivo passa por reforçar, de forma progressiva, um fundo dedicado exclusivamente à internacionalização da música portuguesa, capaz de gerar impacto real e mensurável.

“Como temos vindo a sublinhar, a internacionalização da música nacional é um fator essencial para o crescimento da edição musical em Portugal, criando valor acrescentado à economia e contribuindo para a imagem internacional do país”, afirma Miguel Carretas, diretor-geral da Audiogest. O responsável acrescenta ainda que é fundamental adaptar os instrumentos de financiamento existentes, nomeadamente os da AICEP, às especificidades da indústria musical, que opera com lógicas, ciclos e riscos distintos de outros setores económicos.

A Audiogest assume-se, assim, como parceira institucional do Ministério da Cultura neste processo. Para 2026, a associação já prevê um investimento direto de cerca de 350 mil euros em ações de internacionalização e lançou recentemente um inquérito junto dos produtores musicais, com o objetivo de identificar necessidades concretas e prioridades reais do setor.

A mensagem é clara: só uma articulação consistente entre políticas públicas, setor cultural e investimento privado permitirá construir um modelo de internacionalização verdadeiramente ambicioso, eficaz e sustentável. A verba anunciada é um primeiro passo importante; o desafio agora é transformá-la numa estratégia capaz de levar a música portuguesa mais longe — e de forma duradoura.