E que dois em cada três condutores envolvidos em acidentes com vítimas em 2024 apresentava valores de álcool no sangue considerados crime, revela um estudo da Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária, que alerta para este problema "particularmente grave em Portugal".

"No domínio do álcool, a conclusão central é : Trata-se de um problema estrutural, persistente e particularmente grave em Portugal", assume  a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) no estudo sobre a "evolução da sinistralidade e análises comparativas", a que Lusa teve acesso.

O documento foi apresentado  no dia em que Pedro Clemente toma posse como presidente da ANSR, com o ministro da Administração Interna, Luís Neves, a presidir ao ato.

O estudo deverá anunciar medidas estratégicas relacionadas com a segurança rodoviária dado o aumento das vítimas mortais.

Segundo o estudo, que analisa dados entre 2019 e 2024, cerca de dois terços dos condutores com álcool envolvidos em acidentes com vítimas apresentavam uma Taxa de Álcool no Sangue (TAS) igual ou superior a 1,20 gramas por litro, que é considerada crime, sendo essa proporção de 65,4% em 2024.

a fiscalização aumentou, mas a evolução mais marcante ocorreu no escalão de alcoolemia mais grave (≥1,20 g/l), que cresceu 72,3%, segundo  a ANSR, precisando que 58,1% dos infratores detetados em fiscalização no ano de 2024 "já se encontravam no escalão crime, o que significa que a componente mais severa do fenómeno passou a ser maioritária".

O estudo dá conta que são sobretudo os homens que conduzem sob o efeito do álcool e os veículos intervenientes são essencialmente ligeiros, embora também aconteça com motociclos/ciclomotores e velocípedes, sublinhando que "os horários da madrugada e da noite apresentam risco operacional acrescido, tanto pela percentagem de infratores/testes como pelo peso dos casos em escalão crime".

"Os dados por grupo etário mostram presença expressiva em várias idades adultas, não se limitando a um único segmento geracional. Isto aconselha prudência face a leituras demasiado simplistas: o problema não é exclusivo dos condutores mais jovens, antes se distribuindo por diversos grupos etários com peso estatístico relevante", acentuando a ANSR, que os resultados das autopsias feitas em 2024 também são "particularmente expressivas".

Dados provisórios da ANSR indicam que em 2025 se  registaram 43.635 acidentes que provocaram 145 mortos, 633 feridos graves e 10.753 feridos ligeiros.

Em comparação com o mesmo período de 2025, registaram-se este ano mais 5.000 acidentes, mais 42 mortos, mais oito feridos graves e menos 421 feridos ligeiros.

E preocupa-se a justiça mais com o hax e a liamba que com o alcool… ainda assim dados de 2024 mostram que a percentagem de testes positivos para drogas (incluindo drogas "leves" como a canábis e outras substâncias) em condutores e peões mortos na estrada subiu para 15,8%