Segundo Vhils o seu trabalho entra no Museu da Presidência da República “não é para se domesticar, é para que a contemporaneidade tenha lugar nas nossas instituições, ao lado da história que já está nestas paredes”
Alexandre Farto, ou Vhils, apresentou-se como alguém que vem “da margem sul, da freguesia da Arrentela, Seixal, de pintar paredes e, às vezes, comboios”, e referiu que inicialmente não aceitou o desafio de fazer o retrato do Presidente Marcelo, com o qual nem sempre esteve politicamente “alinhado”.
Alias a sua obra mostra tal
Vhils mostrou-se com uma de agradecimento à escola pública e afirmou que os seus pais e ele são a prova de que o “elevador social" proporcionado pelo Estado, “quando funciona, transforma gerações”, e espera que o mesmo aconteça com as suas duas filhas recém-nascidas.
Alias o seu trabalho ao entrar no Museu da Presidência da República “não é para se domesticar, é para que a contemporaneidade tenha lugar nas nossas instituições, ao lado da história que já está nestas paredes”, justificou.
Vhils comunicou que abdicou da sua remuneração pedindo “que esse valor fosse utilizado para adquirir obras de artistas emergentes” para a coleção do museu, o que foi aceite, e sugeriu que isso “se torne uma tradição”.
Vhils também sugeriu à Presidência da República, no mesmo quadro de renovação do discurso artístico, a aquisição de obras de artistas contemporâneos emergentes cujos imaginários permanecem menos representados nas colecções institucionais nacionais, proposta que foi acolhida com agrado, sendo as obras destinadas à Sala do Conselho de Estado.
Foram assim adquiridas 11 obras dos artistas ±MaisMenos±, Mantraste + Associação Moradores do PER11, Fidel Évora, Unidigrazz, Pantonio, Marta Pinto Machado, João Amado, Ana Aragão, Ana Malta, Francisco Vidal e Alice Marcelino. Serão ainda adquiridas duas obras para reserva e rotação, de AKA Corleone e Tamara Alves.
“Espero que isto se torne uma tradição, porque as paredes onde tudo se decide devem refletir o tempo em que vivemos, e os artistas refletem esse tempo, muitas vezes antes de todos os outros. Daqui a décadas, quem olhar para este retrato vai ver um rosto. Mas quem o desconstruir vai encontrar que país foi aquele”.
Nao podemos deixar de rir com o retrato oficial do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, da autoria de Vhils, por ser feito com camadas de jornais nacionais dos últimos dez anos, ( dle sempre foi o his paparazzi voice!) procurando mostrar “o peso de dois mandatos”.
"Depois de Columbano, depois de Júlio Pomar, com o Presidente Soares, depois de Paula Rico, com o Presidente Sampaio, é a primeira vez que um retrato não é pintura. É relevo, volume e matéria. E é a primeira vez que é feito por alguém que vem da rua, de certa forma, e tenho a consciência do que isso significa", declarou Alexandre Farto, que começou como ‘grafiter’.
Vhils Nasceu em Lisboa em 1987. Estudou na Escola Secundária Dr. José Afonso, no Concelho do Seixal.
Terminou os seus estudos em 2008 na University of the Arts em Londres. Iniciou-se em pintura em 1998 com apenas onze anos. Pintava muros de ruas e comboiosda margem sul do rio Tejo.
Como artista urbano, mais recentemente, sendo as suas obras, o fruto do seu ideário e o mundo que o envolve. Este artista de Lisboa, a partir das suas raízes do graffiti/street art tem vindo a explorar novos caminhos dentro da ilustração, animação e design gráfico, misturando o estilo vectorialcom o desenho à mão livre, aliado a formas contrastadas e sujas, que nos remetem para momentos épicos.
A destacar também a abertura recente da sua exibição de interior/ar livre, "building 3 steps", com Miguel Maurício.
Em 2009, ficou conhecido quando uma das caras esculpidas por ele apareceu ao lado de um graffiti de Bansky no Cans Festival em Londres.
Em 2011, desenvolveu uma técnica usando explosivos, grafite, restos de cartazes e até retratos feitos com metal enferrujado para criar retratos e frases.
Existem trabalhos seus espalhados por vários locais do mundo como as cidades portuguesas de Lisboa, Porto e Aveiro, além de capitais como Londres, Berlim, Moscovo, Bogotá, e cidades como Medellín, Cali (na Colômbia), Nova York, Los Angeles, Grottaglie (sul da Itália)
Em 2012, recriou uma guitarra portuguesa para a colecção Tudo isto é... autores da Malabar.
Além dos famosos trabalhos murais no espaço público, homenageando José Saramago, Zeca Afonso, entre outros, Vhils tem criado serigrafiase a instalações de arte.
2012 - Foi orador no TEDxAveiro [10]
2015 - foi feito Cavaleiro da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[11]
2015 - Foi premiado pelo movimento I Support Street Art [12][13]
Colectivas
2009 - Terroir/Graffiti [25]
2010 - Carris Arte em Movimento
Vhils ficou conhecido pelos rostos de desconhecidos mas também de figuras importantes para a história de Portugal. Exemplo disso, é a encomenda pública, uma peça única criada em calçada portuguesa que presta homenagem à falecida diva do Fado Amália Rodrigues (1920-1999). Localizada no centro da cidade de Lisboa, a peça intitulada “Calçada” é uma colaboração com a equipa de pavimentos da Câmara Municipal. Evocando o Fado – o género musical urbano português por excelência – e a cidade de Lisboa que Amália tão bem cantou, é também uma homenagem aos próprios pavilhões enquanto artistas urbanos mais antigos da cidade responsáveis pelo desenvolvimento de uma arte decorativa singular que se tornou A identidade visual de Portugal.